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Casa Civil retarda volta da Comissão de Mortos da Ditadura apesar de parecer favorável

Casa Civil retarda volta da Comissão de Mortos da Ditadura apesar de parecer favorável

Por Weslley Galzo/Estadão

03/05/2024 às 17:01

Atualizado em 03/05/2024 às 17:22

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Pasta comandada por Rui Costa diz que minuta de decreto está em análise na área técnica

A Casa Civil da Presidência da República reuniu pareceres de todos os Ministérios e órgãos do governo federal interessados na recriação da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da Ditadura (CEMDP), mas não tem previsão de quando enviará a minuta de decreto para a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pasta afirmou à reportagem que o texto está em “análise na área técnica”.

Como mostrou o jornal, o governo Lula vem protelando a recriação da comissão que foi extinta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Questionada em março deste ano, a Casa Civil disse que a proposta precisava passar por diferentes fases de discussão. Na época, a pasta chefiada pelo ministro Rui Costa (PT) já havia colhido pareceres favoráveis à recriação dos Ministérios dos Direitos Humanos, da Defesa, da Justiça e da Advocacia-Geral da União (AGU).

A Casa Civil, no entanto, alegava que o parecer apresentado pelo Ministério da Justiça durante a gestão de Flávio Dino, atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), não valia mais. “É necessário aguardar o pronunciamento do novo titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Ricardo Lewandowski) acerca da concordância com o conteúdo proposto”, alegou a pasta. O atual ministro tomou posse no dia 1º de fevereiro deste ano.

A pasta ligada à Presidência ainda disse que será feito um “balanço interno dos atos desenvolvidos previamente pela Comissão, até a sua extinção”. Segundo a Casa Civil, o procedimento visa “auxiliar no desenvolvimento de um plano de ação que pudesse, eventualmente, orientar possíveis futuros trabalhos da Comissão”.

“Qualquer matéria em discussão no governo tem seu rito procedimental e precisa passar por diferentes fases de discussão. Diante disso, é incorreto supor que uma proposta ao chegar na Casa Civil será automaticamente aceita sem que seja garantida a possiblidade de ampla manifestação de todos os atores envolvidos”, disse a Casa Civil sobre a necessidade de novo parecer da Justiça.

A gestão do ministro da Justiça. Ricardo Lewandowski, deu parecer favorável à recriação da comissão na última sexta-feira, 26. Como mostrou o Estadão, o Exército também concordou com a volta da Comissão e a retomada das investigações interrompidas por Bolsonaro. Não restam etapas administrativas a serem cumpridas. Cabe agora à Casa Civil encaminhar todo o material para Lula e instruí-lo sobre qual decisão tomar.

Funcionários de diferentes pastas envolvidas neste processo atribuem a demora na recriação da Comissão à Casa Civil. A Comissão vinha causando apreensão em Lula. O presidente tem apostado numa política de conciliação com as Forças Armadas. Um exemplo dessa estratégia de apaziguamento foi a ordem dada pelo petista na semana passada para cancelar todos os atos alusivos aos 60 anos do golpe militar.

A Comissão foi criada na gestão Fernando Henrique Cardoso com o propósito de apresentar respostas para as mortes e desaparecimentos ocorridos entre 1961 e 1979.

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