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Narrativa de que os juros estão absurdamente altos não se mostra verdade, diz Campos Neto

Narrativa de que os juros estão absurdamente altos não se mostra verdade, diz Campos Neto

Por Júlia Moura/Folhapress

26/04/2024 às 11:42

Atualizado em 26/04/2024 às 11:42

Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Dizer que os juros no Brasil estão muito altos é falacioso, afirmou nesta sexta (26) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo ele, ao considerar o juro real neutro, aquele que não gera nem inflação e nem desinflação, o Brasil teria a menor taxa entre os latinos emergentes.

"O que a gente tem que comparar é qual é o esforço monetário, ou seja, o quanto eu estou acima da minha taxa de equilíbrio", disse Campos Neto durante evento promovido pela Young Presidents’ Organization nesta sexta-feira (26).

De acordo com os dados apresentados pelo economista, o Brasil está com uma taxa de juros real (o juro nominal menos a inflação) de 6,08% e uma taxa de juros neutra de 4,5%, o que gera um diferencial de 1,58%, a menor ante México (4,27%), Colômbia (2,72%) e Chile (1,68%), mas acima de economias desenvolvidas. No caso dos Estados Unidos, que está com a maior taxa de juros dos últimos 20 anos, esse indicador é 1,15%

"Só olhar a taxa de juros real e esquecer que cada país tem uma taxa de juros neutra de equilíbrio diferente leva a conclusões enganosas. Então, essa narrativa de que os juros estão absurdamente altos e tal, quando a gente olha tanto a taxa de juros histórica, quanto ao esforço monetário, que é a diferença da taxa de juros real para a taxa de juros real neutra, isso não se mostra verdade", afirmou o presidente do Banco Central.

O patamar da Selic, hoje em 10,75% ao ano, tem sido alvo de críticas pelo governo Lula. O presidente da República chegou a dizer, no começo de seu governo, que Campos Neto teria compromisso com o governo anterior, e não com o Brasil —ele foi nomeado à chefia do Banco Central por Jair Bolsonaro em 2019.

Segundo Campos Neto, a inflação se mostra controlada, mas a alta no custo dos serviços é alvo de atenção.

"Precisamos entender qual é a dinâmica deflacionária, de onde vai vir a desinflação daqui para frente. Os números de inflação vieram ligeiramente melhores do que eu esperava, mas precisa ver essa tendência de convergência para a meta se realizar. Por outro lado, as expectativas de inflação vêm piorando. Tanto as expectativas médias quanto as longas vêm piorando, tanto a preço de mercado quanto as inflações da pesquisa Focus", afirmou Campos Neto nesta sexta.

Segundo o boletim Focus, o mercado espera que o IPCA acumule alta de 3,73% neste ano, ante expectativa de 3,71% da semana anterior.

A previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), por sua vez, teve uma alta mais expressiva, de 1,95% a 2,02% no Focus.

Campos Neto compartilha da expectativa. "Fica muito difícil achar que a gente vai crescer menos de 2% esse ano. Teria que acontecer uma coisa muito diferente no segundo semestre. Aqui tem uma notícia boa, tanto no emprego quanto na atividade econômica, e conseguimos fazer um movimento de deflação com um crescimento surpreendendo para cima, o que é uma coisa muito boa."

Na sua última projeção, de março, o BC elevou de 1,7% para 1,9% a previsão para a alta do PIB neste ano.

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