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Lula viaja ao Ceará pela segunda vez em 2024 para reconciliar brigas do PT no Estado

Lula viaja ao Ceará pela segunda vez em 2024 para reconciliar brigas do PT no Estado

Por Levy Teles/Estadão Conteúdo

05/04/2024 às 09:24

Atualizado em 05/04/2024 às 09:24

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

O presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai para o Ceará nesta sexta-feira, 5, na tentativa de reconciliar um PT local dividido, repleto de conflitos e incertezas num ano de eleições municipais. A sigla ainda não definiu quem será o candidato à prefeitura de Fortaleza. Ao mesmo tempo, em outras cidades, líderes e figuras históricas cogitam abandonar a sigla ou até já saíram.

A divisão acontece sobretudo em razão da estratégia adotada pelo partido em 2023 de incorporar ex-integrantes do PDT que optaram por sair do partido, após uma grande briga entre a família Família Gomes, dos ex-govenadores Ciro Gomes (PDT) e Cid Gomes (PSB).

Nesse processo de assimilação, o diretório estadual do PT articula para que os ex-pedetistas possam pleitear prefeituras no Ceará. Esse trabalho com os petistas neófitos contraria posição firmadas por diretórios municipais e militantes mais à esquerda.

Lula estará em um dos principais centros da confusão no PT cearense, a cidade de Iguatu, para acompanhar as obras da Transnordestina. Lá, terá a oportunidade de conversar com petistas sobre o impasse na capital cearense, já que há a expectativa para que haja uma definição do candidato à prefeitura de Fortaleza neste domingo, 7.

Diante da disputa entre cinco pré-candidatos (Evandro Leitão, Luizianne Lins, Larissa Gaspar, Guilherme Sampaio e Artur Bruno), o PT decidiu pela escolha dos filiados. Militantes petistas poderão votar em sete chapas que elegerão 200 delegados do partido. Esse grupo que escolherá o indicado da sigla à prefeitura de Fortaleza, no dia 21 de abril.

A porcentagem dos votos que cada chapa receber indicará a proporção que cada grupo terá entre os 200 delegados.

A principal contenda está entre dois nomes: o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão, e a deputada federal Luizianne Lins.

Luizianne é uma petista histórica, já foi prefeita de Fortaleza por duas vezes, tem o apoio das bases mais à esquerda do PT no Ceará, mas não tem o favoritismo. Evandro migrou do PDT para o PT no final do ano passado, mas tem o apoio de todas as maiores lideranças petistas no Estado.

Luizianne diz que há “interferências diversas” no PT contra a pré-candidatura dela e até ventila a possibilidade de sair, dependendo do resultado no domingo.

“Vamos estar de olho domingo no processo eleitoral. Tivemos interferência concretas, das mais diversas”, afirmou a deputada, em entrevista ao jornal cearense O Povo.

A depender desse processo, adicionou Luizianne, ela poderá procurar outro partido. “A gente sempre tem que ter esperança que a gente vai preservar o partido de todas essas questões. E por isso estou mantendo a candidatura. Tudo vai depender de como vai se dar o processo”, disse.

Das sete chapas, quatro manifestaram apoio a Evandro — entre elas uma que é comandada pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE).

O ministro da Educação e principal figura política no Estado, Camilo Santana, também apoia Evandro nos bastidores. Todos os demais candidatos são apoiados por apenas uma chapa.

Evandro disse ao Estadão que o PT tem “tradição democrática” e por isso o grupo se manterá unido. Ele também sinaliza alinhamento a Camilo.

“Acredito que o projeto político do qual faço parte, liderado pelo presidente Lula, pelo ministro Camilo Santana e pelo governador Elmano de Freitas, pode replicar em Fortaleza uma gestão construída pelo diálogo”, afirmou. “Estou muito honrado e feliz pela receptividade dos filiados e filiadas do PT nos encontros.”

Essa é uma das contendas que Lula terá que ajudar a resolver, enquanto ele visita as obras da ferrovia Transnordestina, em Iguatu, na manhã desta sexta-feira. Será sua segunda ida para o Ceará apenas em 2024.

Houve polêmica na primeira ida, em janeiro. Luizianne não foi ao palco com Lula porque disse ter sido barrada em um episódio passado. Ela classificou o tratamento como “violência política”.

Já em Iguatu a situação é ainda mais crítica. O diretório do PT no Ceará filiou Ilo Neto, filho do deputado estadual Agenor Neto (MDB), e deverá indicá-lo à prefeitura da cidade. O diretório municipal já tinha um nome definido e publicou uma nota de repúdio.

Neste texto, o diretório do PT em Iguatu chama Ilo Neto de “bolsonarista” e reitera o apoio à candidatura a José de Sá Vilarouca, que já estava consolidado. Em protesto, Vilarouca optou por desfiliar-se do PT e migrou para o PSB, do senador Cid Gomes (CE).

“Sá sempre esteve em defesa do presidente Lula. Agora o deputado oligarca quer impor a filiação e candidatura do filho pelo PT, causando revolta e indignação dos filiados e militantes”, escreveu o presidente do diretório municipal, Claudemir Brito da Silva, na nota. “Esse acordo não incluiu o povo de Iguatu.”

Contra a vontade do PT em Reriutaba, o PT do Ceará filiou Osvaldo Neto, ex-pedetista, para lançá-lo à prefeitura. Antes, o diretório municipal optou, por unanimidade, apoiar o atual prefeito, Pedro Humberto (PSB).

“A gente se sente traído. Não tivemos a oportunidade de nos defender”, afirmou Clerton Furtado, presidente do diretório do PT em Reriutaba, em live no Instagram nesta quinta-feira. Ele gravou uma transmissão com Deodato Ramalho, superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Ceará, um petista histórico.

“A gente vê toda essa militância atropelada por essas novas pessoas, que não estão vendo a qualidade partidária, mas a quantidade. Pessoas oportunistas querendo vir para o partido, apenas para pleitear a imagem ao lado de Lula e Elmano”, queixou-se Deodato nessa live.

Como mostrou o Estadão, o PT tem cenário favorável rumo às eleições municipais no Ceará. O partido se aproveitou de uma grande briga no PDT, principal partido no Estado, para incorporar em sua sigla pedetistas revoltos que optaram por abandonar o barco.

Em Fortaleza, os petistas deverão enfrentar uma das eleições municipais mais disputadas em uma capital brasileira neste ano.

O atual prefeito José Sarto (PDT) tentará a reeleição, enquanto a oposição à direita vem com três nomes, com dois aliados mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro entre eles: Capitão Wagner (União), André Fernandes (PL) e Eduardo Girão (Novo).

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