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AGU quer mais 60 dias para tentar acordo com empreiteiras sobre leniência da Lava Jato
AGU quer mais 60 dias para tentar acordo com empreiteiras sobre leniência da Lava Jato
Por Folhapress
26/04/2024 às 21:45
Atualizado em 26/04/2024 às 21:45
Foto: Fellipe Sampaio/STF

O governo Lula (PT) quer mais 60 dias para tentar chegar a um acordo sobre a leniência firmada pelas empreiteiras no âmbito da Operação Lava Jato.
Em manifestação ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), desta sexta-feira (26), a AGU (Advocacia-Geral da União) afirmou que não foi possível, até o momento, uma "resolução consensual", apesar da "intensa negociação promovida" pelo órgão e pela CGU (Controladoria-Geral da União) e da "disposição demonstrada" pelas construtoras.
As discussões de renegociação entre AGU, CGU e as empresas foram iniciadas em março, após determinação de Mendonça do mês anterior.
As empreiteiras querem usar até 50% do seu prejuízo fiscal para abater as multas, enquanto a AGU e a CGU ofereceram 30%.
Os prejuízos fiscais são definidos contabilmente quando a empresa antecipa o pagamento de tributos sobre um lucro que depois não se realiza. Quando isso ocorre, o governo permite que compensem o valor em futuros pagamentos de tributos.
As empreiteiras que discutem as multas com a União são Metha (antiga OAS), Novonor (antiga Odebrecht), UTC, Engevix, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Coesa. Juntas, elas devem R$ 11,8 bilhões em valores corrigidos.
A utilização do prejuízo fiscal no pagamento de multas de acordos de leniência é permitida por uma lei aprovada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão de Mendonça determinando a reabertura das negociações foi dada em ação apresentada por PSOL, PC do B e Solidariedade, partidos representados na causa por integrantes do escritório de advocacia de Walfrido Warde, conhecido por posicionamentos críticos aos métodos da operação.
