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'Mais uma novidade no Carnaval de Salvador: a sustentabilidade', por Augusto Cruz*
'Mais uma novidade no Carnaval de Salvador: a sustentabilidade', por Augusto Cruz*
Por Augusto Cruz*
08/02/2024 às 14:33
Foto: Divulgação

Em 2024, pela primeira vez, o Carnaval de Salvador passará por um estudo inédito de verificação de emissão de gases de efeito estufa (GEE). O inventário analisará a movimentação da frota de veículos da prefeitura, trios elétricos, mini trios, pranchões, geradores de energia utilizados nos palcos da prefeitura, banheiros químicos e contêiners, possibilitando o reconhecimento e a quantificação das fontes de emissões para posterior neutralização.
O impacto das mudanças do clima já é perceptível em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde sentimos os efeitos de eventos climáticos extremos, como temporais, ciclones e secas prolongadas. O que já vem sendo objeto de alertas de cientistas há algum tempo, notadamente nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Em janeiro, o Fórum Econômico Mundial publicou o relatório de riscos globais e as mudanças climáticas mais uma vez são citadas como uma das principais ameaças à humanidade.
Fatos como esse fizeram com que os temas relacionados à sustentabilidade saltaram das mesas das equipes gerenciais e passaram a ditar a agenda estratégica de boa parte dos CEOs e Conselhos de Administração das grandes corporações, especialmente por conta da necessidade de as empresas evidenciarem para suas partes interessadas suas ações em face dos riscos ASG (ambiental, social e governança corporativa).
Dentre os temas ASG que requerem comprometimento das empresas, estão as medidas adotadas para mitigar e/ou de adaptação às mudanças climáticas e seus efeitos, uma vez que os cientistas já concluíram que a atividade humana é responsável pela aceleração das alterações no clima.
Mas não apenas das empresas, governos e a sociedade civil como um todo precisam assumir um compromisso com o planeta e com as gerações atuais e futuras. Uma das medidas urgentes é a redução significativa das emissões de GEE, a partir do uso racional de fontes de energia não renováveis e sua substituição por fontes renováveis.
A transição energética não se dará na velocidade que o planeta precisa, principalmente porque ainda precisamos testar e implantar novas tecnologias em larga escala. Assim, quando não for possível substituir a fonte de energia, é possível compensar o uso de combustível fóssil pelo plantio de árvores (uma árvore chega a resgatar da atmosfera cerca de 15,6kg de CO2/ano).
Além de reduzir o impacto ambiental do Carnaval de Salvador, pretende-se chamar a atenção do trade do carnaval e da sociedade em face da urgente necessidade da adoção de ações como essa. Ademais, pela sua visibilidade no cenário nacional, o Carnaval de Salvador pode ser o precursor de um efeito cascata para os carnavais e outros grandes eventos do Brasil.
*Augusto Cruz é sócio da AC Consultoria
