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Homologação de acordo com Correios para combate ao assédio será dia 1º de março
Homologação de acordo com Correios para combate ao assédio será dia 1º de março
Por Redação
26/02/2024 às 10:46
Foto: Tiago Queiroz

Já tem data definida a homologação do inédito acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para implantação de uma política de prevenção e combate a todo tipo de assédio e discriminação na estatal.
Costurado entre procuradores e a diretoria da empresa durante a tramitação de ação civil pública na 16ª Vara do Trabalho de Salvador, o documento prevê a adoção em todo o território nacional de uma série de medidas estruturantes que incluem a criação de canais de denúncias, fluxo de apuração, afastamento preventivo de possíveis assediadores, prevenção e o compromisso de eliminar toda forma de discriminação e pressão nos Correios.
A cerimônia de homologação será dia 1º de março, às 11h, na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região. O MPT deverá ser representado pelos procuradores que atuaram no caso e pelo procurador-geral do trabalho, José de Lima Ramos Pereira, que pretende vir a Salvador para a cerimônia de homologação. O presidente do TRT5, desembargador Jéferson Muricy já confirmou presença, assim como o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, que também deverá se deslocar para a capital baiana para o ato.
A assinatura do acordo foi feita na quinta-feira (15) passada na sede do MPT, em evento que contou com a presença do presidente dos Correios, dos procuradores que atuaram diretamente no caso, Rômulo Almeida e Ilan Fonseca, além de representantes de sindicatos e associações de trabalhadores da estatal. Fruto de um complexo inquérito que envolveu uma série de denúncias, depoimentos, coleta de provas e inúmeras tentativas de conciliação, o processo judicial traz uma novidade praticamente inédita no direito do trabalho brasileiro. Ao propor a ação, o MPT pediu que a Justiça determinasse a estruturação de uma política de combate ao assédio.
“A ação estruturante é um mecanismo que permite ao MPT propor a implantação de um novo modelo de gestão, visto que não vislumbramos uma solução para os ilícitos identificados durante o inquérito baseada em alterações pontuais. Era preciso reestrutura a política de prevenção e combate ao assédio e à discriminação para que os empregados e a empresa pudessem ter um ambiente laboral saudável”, explicou o procurador Ilan Fonseca. “Será mais um sinal da importância e da dimensão que esse acordo tem, não só para os Correios, mas para outras empresas e outros órgãos públicos.
No acordo, a empresa compromete-se a indenizar a sociedade em R$1,5 milhão e a implementar uma abrangente política de prevenção e combate a todas as formas de práticas de assédio moral, sexual e discriminação racial e de gênero. O valor a ser pago deverá ser destinado a entidades sem fins lucrativos a serem designadas pelo MPT. Além disso, há previsão de multas para o caso de atraso ou descumprimento dos itens previstos no documento. A postura da empresa, no entanto, é de total compromisso com a implementação da nova política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual e à discriminação, como salientou o presidente da estatal durante a assinatura do acordo.
Para o juiz Paulo Temporal, titular da 16ª Vara e responsável pela homologação, “este processo certamente servirá como referência e modelo para outras empresas que desejem implantar medidas semelhantes. Nunca no Brasil foi registrado algo similar, e acredito que este acordo pode ser o catalisador de mudanças significativas para assegurar um ambiente organizacional livre de assédio em todo Brasil", sublinhou.
