PL reage a operação contra Jordy e procura Barroso por ‘volta à normalidade’
Por Eduardo Gayer/Estadão
18/01/2024 às 18:00
Atualizado em 18/01/2024 às 18:00
Foto: Pedro França/Agência Senado

Os mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), no âmbito da Operação Lesa Pátria, renovaram o clima de animosidade entre bolsonaristas e o Supremo Tribunal Federal (STF). O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), revelou que telefonou mais cedo para o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, e agendou uma reunião para a próxima quarta-feira (24) com o objetivo de discutir caminhos para a “volta à normalidade”.
“Os limites da Constituição estão sendo ultrapassados. Não é normal um parlamentar ter seu gabinete devassado porque tem uma opinião diferente de uma autoridade. Isso fere de morte a democracia”, afirmou Rogério Marinho à reportagem. “Estamos muito preocupados com a violação da imunidade parlamentar, que é o cerne da democracia. A Constituição precisa ser cumprida”.
Parlamentares do PL externam preocupação com os mandados expedidos contra Jordy pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) e cobram uma resposta institucional do Congresso. Em outro telefonema, Marinho pediu ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), uma reunião de líderes para discutir o assunto. “Um ato excepcional não pode ser normalizado”, relatou o líder da oposição, que defende a saída de Moraes do inquérito dos atos golpistas.
Em um ensaio da reação bolsonarista, um outro expoente da sigla afirmou sob reserva que, na volta do recesso parlamentar, vai articular a votação na Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita as decisões monocráticas de ministros do Supremo. O texto passou no Senado sob protestos dos magistrados.
Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal realizou, com autorização de Alexandre de Moraes, buscas na residência e no gabinete de Jordy, atrás do rastro de “pessoas que planejaram, financiaram e incitaram atos antidemocráticos ocorridos entre outubro de 2022 e o início do ano 2023 no interior do Rio de Janeiro”.
As buscas contra o deputado foram motivadas por mensagens interceptadas trocadas com uma liderança de extrema-direita, responsável por organizar bloqueios de estradas após as eleições de 2022. O parlamentar nega envolvimento com qualquer intentona golpista.
