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Divulgação do IPCA-15 vaza antes do horário oficial, e IBGE fala em problema técnico
Divulgação do IPCA-15 vaza antes do horário oficial, e IBGE fala em problema técnico
Por Leonardo Vieceli, Folhapress
26/01/2024 às 13:17
Atualizado em 26/01/2024 às 17:22
Foto: Divulgação/Arquivo

O resultado da inflação medida em janeiro pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) foi antecipado em uma hora nesta sexta-feira (26). O dado vazou às 8h, antes do horário padrão das 9h.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), responsável pelo IPCA-15, disse que um problema técnico adiantou a divulgação. A publicação, de acordo com o órgão, ocorreu no Sidra, o sistema de estatísticas da instituição.
"O IBGE relata que, diante de um problema técnico computacional de horários em seus equipamentos servidores, este processo, que é automático, acabou sendo adiantado em uma hora", afirmou o instituto.
O órgão também disse que técnicos estão verificando o ocorrido para tomar as devidas providências.
De acordo com o IBGE, falhas do tipo são muito raras. Episódio anterior ocorreu em 2011, quando um problema de sistema foi apontado como responsável por antecipar dados de outubro do IPCA, o índice oficial de inflação do Brasil.
A situação desta sexta foi percebida por economistas do mercado financeiro que acompanham o comportamento de índices de preços.
O caso gerou surpresa porque as divulgações do IBGE ocorrem em horários previamente definidos. Índices de inflação como IPCA-15 e IPCA são publicados às 9h. Outros indicadores econômicos, incluindo PIB (Produto Interno Bruto) e taxa de desemprego, também saem nesse horário.
Conforme o IBGE, o IPCA-15 desacelerou a 0,31% em janeiro, após marcar 0,40% em dezembro.
O novo resultado ficou bem abaixo das projeções de analistas do mercado, que esperava aceleração do índice no início de 2024. De acordo com a agência Reuters, a estimativa de economistas era de alta de 0,47% em janeiro.
O economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, avalia que o vazamento desta sexta provavelmente tenha ocorrido por um problema técnico, o que foi citado pelo IBGE. A possível falha, porém, coloca a "credibilidade e a estabilidade" do instituto na mira de ataques, diz o economista.
"Esses dois pilares acabam balançando. O instituto vira alvo de críticas, ainda mais depois dos ruídos na troca de presidente", afirma.
"O mercado financeiro íntegro depende da igualdade de informações. Um erro interno [do IBGE] pode afetar essa premissa. Parece que não foi o caso desta vez, mas fica o alerta", acrescenta.
O IBGE é comandado desde agosto pelo economista Marcio Pochmann, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A escolha gerou uma série de críticas de uma ala de analistas que enxergava em Pochmann um perfil intervencionista demais para o instituto.
Antes de ingressar no IBGE, o economista foi presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2007 a 2012. A gestão no órgão teve registros de polêmicas à época, incluindo afastamento de técnicos e acusações de aparelhamento político.
Outro grupo de pesquisadores defendeu no ano passado a indicação de Pochmann para o IBGE. Essa ala rebateu as críticas ao nome e fez elogios à trajetória acadêmica do economista.
Pochmann tem evitado entrevistas coletivas à imprensa desde que chegou ao IBGE. Ele costuma publicar comentários sobre o trabalho no instituto e outros assuntos em seu perfil na rede social X, ex-Twitter.
Até o final da manhã desta sexta, ele não havia se manifestado sobre a divulgação do IPCA-15 antes do horário oficial.
