/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Carf passa por nova reforma quase uma década após Zelotes e terá 204 conselheiros

Carf passa por nova reforma quase uma década após Zelotes e terá 204 conselheiros

Por Eduardo Cucolo/Folhapress

05/01/2024 às 20:15

Atualizado em 05/01/2024 às 20:15

Foto: André Corrêa/Senado Federal

Fachada externa do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)

O Carf, o órgão do Ministério da Fazenda responsável por julgar recursos sobre autuações da Receita Federal em matéria tributária e aduaneira, passa a funcionar com 204 conselheiros, conforme determina o novo regimento da instituição, que entra em vigor nesta sexta-feira (5). Até o ano passado, o conselho funcionava na prática com cerca de 150 conselheiros.

Também haverá ampliação no número de turmas de julgamento e redução na quantidade de conselheiros por turma, dentro da estratégia de diminuir o estoque de processos que supera R$ 1 trilhão, cerca de 10% do PIB (Produto Interno Bruto).

O novo regimento prioriza a análise de casos de alto valor, concentrando os demais em um novo sistema de plenário virtual para acelerar o número de julgamentos.

As novas normas incluem ainda simplificação de votos, redução de prazo para publicação de acórdãos e regras para aplicação de tratados, leis, decretos e decisões do Supremo, entre outras mudanças.

A reestruturação do órgão é uma das medidas adotadas pelo governo para aumentar a arrecadação em 2024. A Fazenda espera uma receita extra de R$ 55 bilhões vinda da resolução desses processos.

O conselho alcançou no ano passado o melhor resultado em termos de valores julgados desde 2019, apesar de ter funcionado de maneira precária por conta de greves e discussões sobre o funcionamento do órgão.

A última grande mudança na composição do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fazendários) ocorreu em 2015 e 2016, após a Operação Zelotes, que investigou a venda de sentenças para alguns contribuintes.

O novo regimento foi divulgado no final do ano passado. Nesta sexta (5) foram publicadas no Diário Oficial da União portarias que tratam, por exemplo, do valor mínimo dos processos que serão analisados fora do plenário virtual neste primeiro semestre e da nova divisão dos 102 conselheiros que representam os contribuintes.

"Essas medidas de hoje [sexta] dão concretude àquilo que o governo espera do Carf, que é diminuição do estoque e celeridade de julgamento. O único problema que eu vejo é um cerceamento no direito de defesa", afirma Carlos Henrique de Oliveira, ex-conselheiro (2012-2018), ex-presidente do Carf (2022) e sócio do escritório Mannrich Vasconcelos Advogados.

Ele cita o envio de grande parte dos processos para o novo sistema de plenário virtual, semelhante ao do STF (Supremo Tribunal Federal), no qual os votos serão depositados em um período de cinco dias úteis. A sustentação oral será feita por meio do envio de vídeo.

Pelo novo regramento, não será possível para o advogado do defensor pedir a transferência do processo para análise presencial, híbrida ou virtual síncrona (em tempo real).

O ex-presidente do Carf afirma que as novas portarias também deixam claro o interesse em priorizar processos de maior valor.

Na primeira sessão, que trata dos grandes casos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, casos abaixo de R$ 60 milhões ficarão em plenário virtual, deixando os valores iguais ou acima disso para as sessões em tempo real.

"O regimento novo busca celeridade, entrega, maior quantidade de julgamentos, e quando você analisa essas portarias, a gente percebe claramente que o governo está priorizando processos de maior valor", afirma o advogado.

Para ele, outros fatores que vão dar celeridade, são a diminuição de conselheiros por turma de oito para seis, o que reduz o tempo de debate e leitura de votos, e a redução no tempo de preparação dos acórdãos de 30 para 15 dias.

Em apresentação feita após a publicação do novo regimento, o atual presidente do Carf, Carlos Higino Ribeiro de Alencar, disse que o objetivo do governo é aumentar a produtividade do órgão, mas sem perda de qualidade no julgamento e sem afetar o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Segundo ele, os processos de maior valor e complexidade serão analisados nas sessões presenciais ou híbridas. Os de menor valor a princípio irão para o plenário virtual em sessão assíncrona, mas garantindo o direito da sustentação oral dos representantes da defesa. As sessões de janeiro já estarão sob as regras do novo regimento.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.