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Dieese divulga estudo inédito sobre inserção da população negra no mercado de trabalho brasileiro
Dieese divulga estudo inédito sobre inserção da população negra no mercado de trabalho brasileiro
Por Política Livre
20/11/2023 às 09:47
Atualizado em 20/11/2023 às 12:30
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou, na última sexta-feira (17), um inédito estudo comparativo do mercado de trabalho para a população negra no Brasil, nos últimos 10 anos. O material foi encomendado pelas secretarias de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) e do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) da Bahia, por meio do Observatório do Trabalho.
O conteúdo, que engloba um boletim e um infográfico, foi encomendado especialmente para o mês de novembro, pois nesta segunda-feira (20) é celebrado o Dia da Consciência Negra, e todo o mês conta com programações e eventos especiais em razão da data.O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou dois materiais especiais relacionados à população negra, em razão do Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de Novembro.
Nas redes sociais, a titular da Sepromi, Ângela Guimarães comentou sobre o estudo. "O mercado de trabalho no Brasil persiste como espaço de reprodução da desigualdade racial, em que pesem diversas iniciativas governamentais de promoção da igualdade racial em curso. Na Bahia, a situação não foi diferente entre os anos de 2012 e 2022. O diagnóstico faz parte do estudo 'Mercado de Trabalho para a População Negra na Bahia: Análise em 10 anos', apresentado hoje pelo Dieese, em Salvador".
O levantamento mostrou que além de representar 81,2% do total da população baiana, pessoas negras correspondem à maior parte da força de trabalho do estado (59,2%). Em contraponto, 15,5% deles estão desocupados e 13,5% estão subutilizados no mercado de trabalho, percentuais maiores do que os das pessoas não negras.
As disparidades laborais persistem mesmo com a expressiva elevação da escolaridade. Na última década, a implantação do sistema de cotas nas universidades fez o percentual de pessoas negras com ensino superior completo na Bahia saltar de 3,6% para 6,9%.
"Os dados apontam para a necessidade urgente de desenvolver políticas públicas que possam resultar em melhores oportunidades para essa expressiva parcela de trabalhadores que continua sofrendo com piores condições de trabalho e salário devido à cor/raça. Este levantamento é um desafio à adoção de mais políticas afirmativas e de promoção da Igualdade racial em todos os âmbitos do mercado de trabalho especialmente no âmbito privado, dimensão onde o fosso que separa pessoas negras e brancas segue persistente e intacto", reforçou a secretária Ângela Guimarães.
No boletim é examinada a inserção da população negra no mercado de trabalho brasileiro e algumas facetas da discriminação racial. Os dados analisados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PnadC-IBGE) e referem-se ao 2º trimestre de 2023.
A publicação inicia destacando que, nos últimos quatro anos, houve "retrocesso econômico e social", e que embora o desafio ainda seja grande, "em 2023, abre-se novamente espaço para a retomada do debate sobre a construção da igualdade entre negros e não negros".
No boletim é apontado que o mercado de trabalho "ainda é espaço de reprodução da desigualdade racial", tanto a inserção, quanto as possibilidades de ascensão são desiguais para a população preta e parda. E as mulheres negras acumulam também desigualdades de gênero.
Entre os destaques do boletim, os seguintes dados:
- Embora representem 56,1% da população em idade de trabalhar, os negros ocupavamapenas 33,7% dos cargos de direção e gerência. Ou seja, um em cada 48 trabalhadoresnegros ocupa função de gerência, enquanto entre os homens não negros, a proporçãoé de um para 18 trabalhadores;
- Entre os desocupados, 65,1% eram negros. A taxa de desocupação das mulheres negrasé de 11,7% - mesmo percentual de um dos piores momentos enfrentados pelas pessoasnão negras, no caso, a pandemia. A taxa de desocupação dos não negros está em 6,3%no 2º trimestre de 2023;
- Quase metade (46%) dos negros estava em trabalhos desprotegidos. Entre os não negros, essa proporção era de 34%. Uma em cada seis (16%) mulheres negras ocupadas trabalha como empregada doméstica;
- Os negros ganhavam 39,2% a menos do que os não negros, em média. Em todas as posições na ocupaão, o rendimento médio dos negros é menor do que a média da população.
Para conferir o boletim completo, clique aqui.
INFOGRÁFICO
O estudo também engloba um infográfico que mostra a inserção dessa população no mercado de trabalho, analisando as cinco regiões do Brasil. Na Bahia, estado nordestino com a segunda maior população negra, proporcionalmente (80,2%) - atrás apenas do Maranhão (81,1%) -, 56,5% das mulheres negras e 56,8% dos homens negros têm trabalhos informais. O rendimento médio deles é de R$ 1.701, enquanto o delas é de R$ 1.569.
Clique aqui para conferir os dados completos.

Imagem: reprodução/Dieese
