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Centrais sindicais pedem novo adiamento de julgamento de revisão do FGTS

Centrais sindicais pedem novo adiamento de julgamento de revisão do FGTS

Por Danielle Brant e Guilherme Seto, Folhapress

02/11/2023 às 14:41

Atualizado em 02/11/2023 às 14:41

Foto: Carlos Moura/SCO/STF/Arquivo

Presidente do STF, Barroso pautou o processo para quarta (8) após pedido do governo Lula, que agora também solicita mais prazo

As centrais sindicais enviaram um ofício ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, pedindo o adiamento por mais 30 dias da retomada do julgamento da ação sobre revisão do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Em outubro, o Barroso remarcou o julgamento para quarta-feira (8) após solicitação do governo Lula (PT), que também pede novo adiamento.

No ofício enviado nesta quarta-feira (2), as centrais afirmam que o adiamento é importante para dar tempo para encontrar uma solução adequada que, de um lado, preserve o papel do FGTS e da poupança para investimento de política habitacional para baixa renda e em áreas como habitação, saneamento básico, e, de outro, preserve o patrimônio dos trabalhadores, pois é um mecanismo relevante "de poupança e de proteção nos casos de dispensa sem justa causa, tratamento de doenças e outras situações de vulnerabilidade".

"Estamos pedindo um prazo para estudar melhor os impactos tanto nos recursos para construção da casa própria como na remuneração adequada para o dinheiro do trabalhador", resume Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

A questão que é julgada no Supremo é sensível para o governo federal. Os ministros devem decidir se a correção do Fundo de Garantia, hoje em 3% ao ano mais TR (Taxa Referencial), é constitucional ou não. A TR rende próxima de zero.

O pedido feito na ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 5.090 é para que a TR seja declarada inconstitucional e substituída por um índice de inflação, que pode ser o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) ou IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - Especial).

O caso chegou ao Supremo em 2014, após estudo encomendado pelo partido Solidariedade e pela Força Sindical apontar perdas consideráveis ao trabalhador. Na época, o levantamento mostrou que a correção dos valores trouxe prejuízo de 88,3% ao dinheiro depositado no FGTS de 1999 até 2013.

Governo Lula e centrais sindicais têm tentado costurar um acordo nos últimos meses, sem sucesso até o momento.

Em apresentação de agosto que acompanha memorial da AGU (Advocacia-Geral da União) sobre a ação, a Caixa Econômica Federal argumenta que, caso o FGTS passe a remunerar as contas vinculadas pela poupança, "haverá a inversão da lógica da gestão do Fundo, que passará a privilegiar a rentabilidade ao invés da promoção da aplicação nas áreas prioritárias de desenvolvimento da infraestrutura, do saneamento básico e da moradia de interesse social."

Segundo estimativas do Ministério das Cidades validadas pela Caixa, se o FGTS deixar de cumprir esse papel, o custo para os cofres públicos seria de aproximadamente R$ 17 bilhões ao ano.

Nos bastidores, Barroso argumenta que, para minimizar o impacto sobre a política habitacional, o governo poderia estudar novas fontes de financiamento ao setor sem precisar prejudicar recursos do trabalhador. Relator da ação, ele defende que os recursos dos trabalhadores no fundo tenham pelo menos a remuneração da poupança.

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