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Petrobras convoca assembleia para votar mudança na política de indicações

Petrobras convoca assembleia para votar mudança na política de indicações

Por Nicola Pamplona/Folhapress

30/10/2023 às 12:46

Atualizado em 30/10/2023 às 12:46

Foto: Arquivo Agência Brasil

Petrobras convoca assembleia para votar mudança na política de indicações

A Petrobras agendou para o dia 30 de novembro a assembleia de acionistas que vai analisar mudança em sua política de indicação de executivos, proposta vista pelo mercado como uma tentativa de reduzir barreiras a ingerência política na estatal.

O encontro vai decidir a retirada do texto de vedações a nomeações de representantes do governo e de quarentenas para dirigentes partidários e sindicais, além de outras barreiras previstas na Lei das Estatais. Decide também a criação de uma reserva de lucros.

Com maioria dos voto na assembleia, o governo tem poder para decidir a votação, mesmo diante de resistências de acionistas minoritários.

A proposta foi levada pelo presidente do conselho, o secretário de Petróleo e Gás do MME (Ministério de Minas e Energia), Pietro Mendes, e provocou forte reação do mercado, levando a empresa a perder R$ 32 bilhões em valor de mercado em apenas um dia.

Foi aprovada em reunião no último dia 20, com votos de cinco dos seis indicados pelo governo e da representante dos trabalhadores, Rosângela Buzaneli. Os quatro representantes de acionistas minoritários votaram contra e o presidente da estatal, Jean Paul Prates, se absteve.

Apesar da abstenção, Prates passou a defender a ideia nos dias posteriores ao tombo das ações. Na quarta-feira (25), publicou em suas redes sociais um vídeo afirmando que a alteração no estatuto "faz zero diferença" e não libera a empresa de seguir a Lei das Estatais.

"Essa proposta de mudança buscou alinhar o estatuto social da Petrobras às mudanças na Lei das Estatais", afirmou Prates, em vídeo divulgado em redes sociais, segundo ele, para tentar esclarecer a questão.

Ele se referia a liminar do então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, que suspendeu algumas vedações previstas na lei. O tema, porém, ainda não foi apreciado em plenário do tribunal.

"Se decisão do Judiciário for manter os artigos na lei, eles valerão por si mesmos, pois a lei é para todos e a Petrobras será automaticamente obrigada a cumprir", afirmou. "Estar ou não repetido no estatuto faz zero diferença."

O estatuto da Petrobras é visto pelo mercado como uma barreira adicional de proteção da companhia contra ingerências políticas, em caso de alterações na Lei das Estatais, em debate em Brasília desde o governo Jair Bolsonaro (PL).

Ainda assim, não foi capaz de barrar a nomeação de candidatos considerados inelegíveis pelos órgãos internos de governança nem sob Bolsonaro nem no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em sua primeira renovação do conselho, Lula elegeu Mendes, o secretário-executivo do MME, Efrain Cruz, e o ex-dirigente sindical Sergio Machado Rezende. Os dois primeiros foram questionados por conflito de interesses. O terceiro, pelo não cumprimento da quarentena.

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