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Dólar abre a sexta-feira (20) com leve alta

Dólar abre a sexta-feira (20) com leve alta

Por Folhapress

20/10/2023 às 10:14

Atualizado em 20/10/2023 às 10:14

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

Dólar abre a sexta-feira (20) com leve alta

O dólar abriu a sexta-feira (20) com uma leve alta em mais um dia de temores no mercado financeiro com a guerra entre Israel e Hamas, os seus efeitos no preço do petróleo e o avanço dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos.

Às 9h12, o dólar operava em alta de 0,08%, sendo vendido a R$ 5,0580. O mercado deve ainda sentir os reflexos do discurso de Jerome Powell, presidente do banco central americano, nessa quinta-feira (19) que deu sinais mistos sobre o futuro da política de juros americana.

Por um lado, disse que a força da economia dos EUA poderia justificar uma nova alta de juros no país. Por outro, afirmou que o Fed está avaliando com cuidado a necessidade de um novo aumento nas taxas neste ano.

Além disso, o presidente do banco central americano afirmou que a recente alta dos títulos americanos, causada justamente por temores sobre um novo aumento de juros, pode ter tornado as condições monetárias mais restritivas, diminuindo a necessidade de um aperto ainda maior pelo Fed.

Após o discurso, o Ibovespa chegou a renovar sua máxima na quinta-feira, atingindo os 115 mil pontos. Ao longo da tarde, porém, o otimismo perdeu fôlego, e o índice voltou ao zero a zero. Nesse cenário, o Ibovespa fechou aos 114.004 pontos, enquanto o dólar terminou o dia cotado a R$ 5,052.

Para Sávio Barbosa, economista-chefe da Kínitro Capital, a fala de Powell foi neutra. "Ele [Powell] sinalizou que a taxa de juros não deve subir em novembro, mas deixou a possibilidade de um novo aumento de juros em dezembro em aberto. Acreditamos que o Fed elevará as taxas mais uma vez em dezembro e manterá esse nível por um período prolongado", diz Barbosa.

Já Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, diz que está mais difícil prever se haverá ou não um novo aumento de juros na próxima reunião do Fed.

"Arriscaria dizer que, se a reunião fosse hoje, a probabilidade de manutenção seria maior. Mas há muita coisa para acontecer, particularmente com relação aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Se ficar claro que a oferta de petróleo vai sofrer de forma expressiva, pode haver maior pressão para mais uma elevação", afirma Igliori.

Na visão de Adriano Yamamoto, diretor comercial da corretora do C6 Bank, o mercado continua bastante sensível em razão de incertezas relacionadas particularmente à política monetária norte-americana e ao ritmo da economia chinesa, mas agora também aos riscos atrelados ao conflito entre Israel e o Hamas.

Ele chamou a atenção também para a menor liquidez no mercado nas últimas semanas como um sinal de receio dos agentes financeiros, que cada vez mais devem tomar suas decisões de alocação olhando para o mercado internacional.

Após a fala de Powell, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano continuaram a trajetória de alta e chegaram a bater os 5%, rondando seus maiores patamares em 17 anos. Os títulos de dez anos saíram de 4,91% para 4,99% nesta quinta.

Com o cenário de incerteza e a escalada dos treasuries, os índices de ações dos Estados Unidos fecharam o dia em queda significativa. O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq caíram 0,85%, 0,75% e 0,96%, respectivamente.

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