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Múcio reclama de 'suspeição coletiva' após Cid citar chefes militares em plano golpista
Múcio reclama de 'suspeição coletiva' após Cid citar chefes militares em plano golpista
Por Cézar Feitoza, Folhapress
21/09/2023 às 14:31
Atualizado em 21/09/2023 às 14:31
Foto: Divulgação/Arquivo

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta quinta-feira (21) que se incomoda com a "aura de suspeição coletiva" que tem-se mantido com as informações de que militares teriam participado de planos de golpe com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Na realidade, isso não mexe conosco porque trata-se de pessoas que pertenceram [às Forças Armadas]. Nós desejamos muito que tudo seja esclarecido. Evidentemente que constrange. Essa áurea de suspeição coletiva incomoda", disse o ministro.
A declaração ocorre horas após o site UOL revelar que o tenente-coronel Mauro Cid disse à Polícia Federal que Bolsonaro teria consultado os ex-comandantes das Forças Armadas Freire Gomes (Exército), Almir Garnier (Marinha) e Baptista Júnior (Aeronáutica) sobre um eventual apoio a planos golpistas contra a eleição de Lula (PT).
Segundo o site, o almirante Garnier teria apresentado disposição a participar do golpe —que envolvia a convocação de novas eleições e prisão de adversários.
Na saída do Ministério da Defesa, Múcio disse que não tem mais informações sobre o caso. "Eu vivo das informações que vocês da imprensa divulgam."
O ministro afirmou ainda que solicitou informações sobre as investigações da PF do caso do hacker Walter Delgatti ao diretor-geral da PF, Andrei Passos, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mas não recebeu nenhum retorno.
Múcio contou que se encontrará nesta quinta com os comandantes da Marinha, almirante Marcos Olsen, e da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno. As reuniões estavam previamente marcadas, mas o ministro aproveitará para sondá-los a respeito das novas informações.
Múcio disse ainda que sua única "certeza cristalina" era a de que um golpe contra a democracia não foi do interesse das Forças Armadas. "São atitudes isoladas, mas ao Exército, Marinha e Aeronáutica nós devemos a manutenção da nossa democracia."
Seis generais do Alto Comando do Exército consultados pela Folha afirmaram que não foi apresentado ao colegiado a consulta de Bolsonaro sobre um possível apoio ao golpe. A avaliação, porém, é que Freire Gomes reservava os assuntos espinhosos para um grupo de oficiais mais próximo.
Os militares dizem que se pautaram pelo legalismo quando estavam no centro de protestos contra a eleição de Lula.
Dois deles relataram incômodo com o fato de as Forças Armadas aparecerem com frequência em páginas policiais, e que os vazamentos sobre a delação de Mauro Cid têm gerado insatisfações e dúvidas sobre possíveis buscas e apreensões contra os citados.
Nos últimos dois meses de 2022, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier foi o chefe militar que mais criou dificuldades para a transição do comando da Força. Como a Folha mostrou, ele se recusou a conversar com Múcio e, diante do almirantado, fez críticas a Lula e manifestou interesse em deixar o cargo antes da posse do petista.
O grupo de almirantes de Esquadra se contrapôs à antecipação da posse e, contrariado, Garnier decidiu faltar à cerimônia de passagem de comando —em ato inédito na democracia.
A defesa de Mauro Cid divulgou nota em que diz não ter tido acesso aos depoimentos prestados pelo tenente-coronel. "Os referidos depoimentos [...] são sigilosos, e por essa mesma razão [a defesa] não confirma seu conteúdo."
