Lula demite mais uma mulher, ignora diversidade e perde patamar recorde
Por Folhapress
06/09/2023 às 20:15
Atualizado em 06/09/2023 às 20:15
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Para atrair mais partidos do centrão para a base do governo federal, o presidente Lula (PT) demitiu nesta quarta-feira (6) uma das mulheres do primeiro escalão na Esplanada.
Com a saída de Ana Moser do comando da pasta de Esportes, Lula terá agora um time com 9 mulheres e 29 homens. Daniela Carneiro já havia sido demitida para abrir espaço à nomeação de Celso Sabino, da União Brasil no Turismo.
O petista, que ensaia indicar um homem para a vaga de Rosa Weber no STF (Supremo Tribunal Federal), foi eleito com o discurso de fazer um governo que contemplasse a diversidade de cor e raça do país.
Antes da Esplanada inicial de Lula, com 11 ministras, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) era a que mais tinha mulheres no seu primeiro escalão. Simultâneas, foram 10 em 37 pastas (27%).
O número de Lula 3, mesmo com a demissão da ex-jogadora de vôlei e de Daniela Carneiro, representa um aumento expressivo em comparação com o seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).
No primeiro escalão da reta final da gestão de Bolsonaro, havia apenas uma mulher em 1 das 23 pastas: Cristiane Rodrigues Britto, à frente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.
Bolsonaro não deu prioridade em sua administração para compor uma equipe diversa. Ele é adepto do discurso de que esse tipo de preocupação com representatividade é "mimimi".
MINISTRAS NO GOVERNO LULA
- Esther Dweck (PT) – Ministério da Gestão e Inovação
- Cida Gonçalves (PT) – Ministério das Mulheres
- Nísia Trindade (sem partido) – Ministério da Saúde
- Margareth Menezes (sem partido) – Ministério da Cultura
- Anielle Franco (sem partido) – Ministério da Igualdade Racial
- Simone Tebet (MDB) – Ministério do Planejamento
- Luciana Santos (PC do B) – Ministério da Ciência e Tecnologia
- Marina Silva (Rede) – Ministério do Meio Ambiente
- Sonia Guajajara (PSOL) – Ministério dos Povos Originários
Situações semelhantes ocorreram nos demais governos do período democrático. José Sarney teve apenas uma mulher em seu governo: Dorothea Werneck no Ministério do Trabalho. Fernando Collor de Mello teve à frente da Economia Zélia Cardoso de Mello.
Embora com um mandato curto após o impeachment de Collor, Itamar Franco nomeou duas mulheres: Margarida Coimbra do Nascimento para Transportes e a gaúcha Yeda Crusius na pasta do Planejamento.
Fernando Henrique Cardoso teve em seus dois mandatos Cláudia Costin —que integrou a equipe de transição de Lula— no Ministério da Administração e Reforma do Estado. Ele também escalou Dorothea Werneck para a pasta da Indústria e Comércio.
Ao assumir o Planalto após o impeachment de Dilma, o ex-presidente Michel Temer começou sua gestão sem mulheres no comando de ministérios, sendo duramente criticado por isso. Ele chegou a ter o Ministério dos Direitos Humanos dirigido por Luislinda Valois, mas terminou seu governo apenas com Grace Mendonça na Advocacia-Geral da União.
