Vice de candidato assassinado disputará presidência do Equador
Por Folhapress
12/08/2023 às 19:56
Atualizado em 12/08/2023 às 19:56
Foto: Karen Toro/Reuters

A ambientalista Andrea González, que fazia parte da chapa do candidato presidencial equatoriano assassinado Fernando Villavicencio, assumirá seu lugar no pleito eleitoral de 20 de agosto, informou neste sábado (12) o partido de centro Construye.
González, 36, acompanhou Villavicencio, 59, em suas aspirações até que homens armados o mataram a tiros na quarta-feira (9), quando ele saía de um comício no norte de Quito.
A nova candidata presidencial foi aliada do político durante vários anos, desde que Villavicencio trabalhava como jornalista investigativo antes de ingressar na Assembleia Nacional, onde ficou entre 2021 e 2023.
Durante seu trabalho jornalístico, o candidato assassinado desvendou escândalos milionários de corrupção, incluindo um que levou à justiça o ex-presidente de esquerda Rafael Correa (2007-2017), sendo condenado à revelia a oito anos de prisão.
Villavicencio estava em segundo lugar nas intenções de voto, com 13,2%, segundo a empresa de pesquisa Cedatos.
No dia 20 de agosto, González enfrentará Luisa González, partidária de Correa e que lidera a pesquisa com 26,6%, o líder indígena Yaku Pérez, o ex-vice-presidente Otto Sonnenholzner e outros quatro candidatos.
"O nome do candidato à vice-presidência será anunciado nas próximas horas e será escolhido entre as pessoas de maior confiança que compartilharam as lutas de nosso camarada Fernando Villavicencio", acrescentou o partido Construye.
A lei permite que os partidos nomeiem um substituto para os candidatos falecidos antes da eleição.
No domingo, González deve assistir ao debate presidencial organizado em Quito pelo Conselho Nacional Eleitoral.
O trabalho de González tem se concentrado na defesa do meio ambiente. Atua a favor dos oceanos, dos manguezais e contra o tráfico de animais silvestres e o desmatamento.
O crime contra Villavicencio, pelo qual seis pistoleiros colombianos foram presos e outro morto, chocou o Equador. Ainda não se sabe quem ordenou sua morte.
O presidente Guillermo Lasso limitou-se a dizer que ele foi vítima do crime organizado.
O Equador vive com medo de cartéis de drogas, alguns deles colombianos e mexicanos que contrabandeiam cocaína de portos do Pacífico para a Europa e os Estados Unidos.
A violência ligada ao narcotráfico elevou a taxa de homicídios para o recorde de 26 por 100 mil habitantes em 2022, quase o dobro do ano anterior.
