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Moraes fala em defesa incansável da democracia em dia de operação que atingiu Bolsonaro
Moraes fala em defesa incansável da democracia em dia de operação que atingiu Bolsonaro
Por Priscila Camazano/Folhapress
11/08/2023 às 21:45
Atualizado em 11/08/2023 às 21:45
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou em evento da Faculdade de Direito da USP que a defesa incansável da democracia é o que une ele e os ministros aposentados Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.
Os três foram homenageados nesta sexta-feira (11) com o recebimento da medalha Armando de Salles Oliveira, oferecida pela Faculdade do Largo São Francisco, uma honraria da instituição que homenageia pessoas, entidades e organizações que contribuem para a valorização institucional, cultural, social e acadêmica.
Seis pessoas em um anfiteatro, com arquitetura antiga, chão de madeira e com carpete vermelho, cortinas vermelhas e brancas em mobiliária antiga
Moraes afirmou que o dia 11 de agosto foi muito bem escolhido para que eles pudessem receber a medalha.
"O que nos três temos em comum são algumas características, como a defesa incansável da democracia. Nós temos a erradicação a qualquer forma de discriminação [também] em comum", disse.
Moraes afirmou também que os três tiveram como propósito a reafirmação dos direitos humanos e o combate à corrupção, que, segundo ele, são necessários para estabelecer a permanência do estado democrático de direito.
Alexandre de Moraes recebeu a homenagem no mesmo dia em que uma operação da PF mirou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma investigação da Polícia Federal apontou a suspeita de que Bolsonaro utilizou a estrutura do governo federal para desviar presentes de alto valor oferecidos a ele por autoridades estrangeiras.
A informação foi relatada em decisão de Moraes, a partir de relatório da PF que embasou a autorização para uma operação deflagrada nesta sexta-feira, com mandados de busca e apreensão relacionados ao ex-presidente no caso das joias enviadas por autoridades sauditas.
Lewandowski também discursou no evento e disse que o combate às graves ameaças à democracia que vieram à tona nos últimos anos fez com que os três homenageados lutassem pela permanência do Estado democrático de direito.
O evento no Largo São Francisco fez parte das comemorações do 11 de Agosto da faculdade, data tradicionalmente celebrada pela instituição.
Neste mesmo dia em 2022, o evento foi marcado pela leitura da "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito", que remetia à histórica "Carta aos Brasileiros", apresentada em ato público em agosto de 1977, no Largo São Francisco, o que marcou a luta contra a ditadura militar e por redemocratização.
O texto, que não citava diretamente Bolsonaro, mas pregava a manutenção do Estado democrático de Direito e o respeito às eleições diante das ameaças golpistas do presidente de contestar o resultado e questionar as urnas eletrônicas, foi precedido da leitura de outro manifesto, endossado por mais de cem instituições.
A menos de dois meses do primeiro turno das eleições, o movimento foi considerado um marco simbólico na reação da sociedade civil à escalada de ameaça às instituições promovida por Bolsonaro, que insuflava apoiadores para saírem às ruas no 7 de Setembro, data do Bicentenário da Independência.
Antes da leitura da carta, foi lido também na Faculdade de Direito outro manifesto em favor da democracia, assinado por entidades como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Apelidado de "carta dos empresários", o documento uniu mais de cem organizações, inclusive parceiros improváveis, como a Fiesp, centrais sindicais, a Febraban, a Academia Brasileira de Ciências e a UNE.
O material fez apelos por respeito à soberania do voto, obediência à Constituição, apreço ao Judiciário e preservação da estabilidade democrática e do Estado de Direito.
