Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Bolsonaro entra com ação no STF pedindo explicações de Lula por fala sobre mansão
Bolsonaro entra com ação no STF pedindo explicações de Lula por fala sobre mansão
Por Mônica Bergamo/Folhapress
22/06/2023 às 08:04
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrará, nesta quinta (22), com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o presidente Lula (PT) explique as afirmações que fez atribuindo a ele a propriedade de uma mansão milionária nos Estados Unidos.
Bolsonaro protocolará a ação no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abre o julgamento que pode torná-lo inelegível.
Em maio, durante evento em Salvador, o petista sugeriu que um imóvel milionário pertencente à família do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, na verdade poderia ser de Bolsonaro.
"Acabaram de descobrir uma casa de US$ 8 milhões do... Como é que chama ele? Do ajudante de ordens do Bolsonaro. Certamente, uma casa de US$ 8 milhões não é para o ajudante de ordens. Certamente, é para o paladino da discórdia, o paladino da ignorância, o paladino do negacionismo", disse Lula, na ocasião.
Na ação, Bolsonaro pede que Lula esclareça o que pretendeu ao dizer a frase acima, a quais pessoas físicas ele se referiu, e quais são as provas e fundamentos para o petista afirmar que o imóvel teria alguma relação com o ex-presidente.
O documento é assinado pelos advogados Paulo Cunha, Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação,
Saulo Lopes Segall, Thais de Vasconcelos Guimarães, Daniel Bettamio Tesser, Clayton Edson Soares e Bianca Capalbo Gonçalves de Lima.
Os representantes de Bolsonaro argumentam no processo que o dono da mansão é Daniel Cid, irmão de Mauro Cid. Eles dizem também que a residência foi adquirida por US$ 1,7 milhão (R$ 8,1 milhões), e não US$ 8 milhões.
Afirmam ainda que Daniel tem "longa e consolidada carreira" no setor de tecnologia e segurança digital nos EUA", e construiu "considerável patrimônio de forma completamente lícita".
"Além de haver trabalhado em grandes empresas do setor, é criador de diversos softwares, sendo certo que no ano de 2008, vendeu seu open source 'OSSEC' à empresa Trend Micro, e, em 2017, vendeu sua startup 'Sucuri' para a hospedeira e criadora de websites GoDaddy, companhia em que ingressou como vice-presidente de Engenharia (CEO), deixando o cargo no ano de 2020 para focar em outros projetos. Atualmente, Daniel é proprietário de três companhias", diz trecho da ação.
Segundo os advogados, o histórico profissional de Daniel "não guarda qualquer relação com seu irmão, Mauro Cid, e menos ainda com Bolsonaro que pudessem minimamente lastrear as desatinadas afirmações e insinuações publicamente verbalizadas pelo indagado [Lula]".
"Observe-se, inclusive, que a vida empresarial de Daniel Cid nos EUA é muito anterior ao início do mandato do indagante [Bolsonaro], não tendo qualquer congruência a insinuação de ocultação patrimonial em seu nome", afirmam.
Eles acrescentam que, embora o petista não mencione expressamente o nome de Bolsonaro, a sua intenção seria a de atingir pessoalmente o ex-presidente, "em linha com o discurso que recorrentemente vem notabilizando suas falas públicas desde que assumiu seu mandato".
Por fim, eles reforçam que Bolsonaro não tem qualquer relação com a mansão. "A fantasiosa hipótese insinuada aos ali presentes e à sociedade brasileira em geral —haja vista tratar-se de evento televisionado e imagens amplamente repercutidas e compartilhadas nas redes sociais—, é absolutamente inverídica, e sugere que o indagado [Lula] pretendeu, com esse expediente transverso e sub-reptício, atingir a honra e a imagem do indagante [Bolsonaro]."
