Zelenski deve viajar ao G7 e pressionar Índia e Brasil, dizem jornais
Por Nelson de Sá/Folhapress
19/05/2023 às 09:00
Atualizado em 19/05/2023 às 09:01
Foto: Reprodução/Facebook

Autoridades ocidentais divulgaram para jornais como Financial Times e The New York Times que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, irá viajar ao Japão para participar presencialmente da cúpula do G7, que vai até domingo (21) em Hiroshima. Ele acaba de chegar à Arábia Saudita, país de "papel importante" no mundo, como ele próprio publicou em mídia social.
O objetivo da ida ao G7 seria fortalecer o compromisso dos integrantes do grupo com a Ucrânia "e assegurar o apoio de Índia e Brasil, não integrantes do G7", de acordo com o FT, citando fontes anônimas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi estão na cúpula como convidados.
De acordo com o NYT, várias autoridades disseram que a presença de Zelensky poderia "tornar mais difícil para os líderes de Índia, Brasil e outros se manterem relutantes em apoiar a Ucrânia" contra a Rússia. Desde o início da guerra, a Índia evitou se afastar do aliado tradicional, até ampliando a compra de petróleo russo, e o Brasil se recusou a enviar armas para Kiev, como proposto pela Alemanha. Tanto Modi como Lula, por outro lado, já conversaram com Zelensky por telefone.
A participação do ucraniano é esperada para o domingo. É quando Modi, Lula e outros convidados estarão ao lado de EUA e dos demais integrantes do G7 na sessão de trabalho "Rumo a um mundo pacífico, estável e próspero". Lula deverá falar em favor das iniciativas de paz para a Ucrânia externas ao G7, lançadas por Brasil, China e agora países africanos, encabeçados pela África do Sul.
Prevista inicialmente para as 10h do domingo, horário local, a sessão foi transferida para as 11h45. Índia e Brasil, que vinham buscando viabilizar uma reunião bilateral durante a cúpula, marcaram o encontro de Modi e Lula para as 10h40, imediatamente antes. Espera-se agora que os dois grandes emergentes, integrantes do grupo Brics, conversem sobre a guerra antes de entrarem para a sessão com os demais.
Zelensky vem de se encontrar com o enviado chinês, Li Hui, para discutir uma saída para o conflito, durante visita de dois dias do representante de Pequim a Kiev, encerrada na quarta. Em comunicado após as conversas, o ministério ucraniano do exterior disse que não irá aceitar perda de território ou congelar a guerra nas posições atuais. Li disse que não há panaceia para resolver a crise e "todas as partes precisam começar por si mesmas, criar condições para se engajar em negociações".
A participação presencial do ucraniano no G7 vinha sendo especulada, inclusive por autoridades de Kiev, sem confirmação formal em Hiroshima. Na quinta (18), o ministério japonês do exterior reafirmou que ele participaria apenas virtualmente, por vídeo, no domingo. Até o momento, não houve divulgação oficial, por parte de Japão, EUA ou de outros governos, sobre a viagem de Zelensky ao G7.
O G7 foi aberto nesta sexta-feira, com uma cerimônia no Memorial da Paz em Hiroshima, da qual participaram os líderes dos países do grupo, EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá.
Em seguida, os sete governantes abordaram em reunião a Guerra da Ucrânia, reafirmaram apoio a Kiev e eventuais novas sanções econômicas, contra o comércio de diamantes russos. Mas o veto à retomada futura do fornecimento de energia russa à Europa, via gasoduto Nord Stream e outros, que chegou a ser noticiado por jornais ocidentais, teria ficado de fora das propostas.
