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'Quem tem que explicar venda de sentenças é o Moro', diz Gilmar Mendes

'Quem tem que explicar venda de sentenças é o Moro', diz Gilmar Mendes

Por Mônica Bergamo/Folhapress

08/05/2023 às 20:15

Atualizado em 08/05/2023 às 20:15

Foto: Carlos Moura/STF/Arquivo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que é o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) quem tem que dar explicações sobre a suposta prática de venda de decisões judiciais.

Em abril, viralizou nas redes sociais um vídeo em que o ex-juiz aparece dizendo a interlocutores sobre "comprar um habeas corpus de Gilmar Mendes". Por conta da afirmação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Moro ao STF por calúnia contra o ministro da corte.

Gilmar Mendes falou sobre o assunto em entrevista a Abilio Diniz, que será exibida na noite de terça (9), no programa Caminhos com Abilio Diniz, na CNN Brasil.

"Não nos falamos [Gilmar Mendes e Sergio Moro]. Na verdade, nessa idade em que estou, com a experiência que eu acumulei, até os inimigos eu tenho que escolher. Eu tenho que escolher as brigas", afirma o ministro na atração. "Encaminhei o assunto ao Ministério Público, que houve por bem fazer uma queixa, uma denúncia contra Sergio", segue ele.

O ministro do STF afirma também ter achado "curioso" que o vídeo em que o ex-juiz fala sobre a "compra de habeas corpus" tenha sido divulgado no momento em que Moro e a sua mulher, a deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP), estão sendo acusados de venda de decisões pelo advogado Rodrigo Tacla Duran.

"É uma solução muito fácil porque Tacla Duran diz —pelo menos é o que está aí em todas as entrevistas— que teria feito um depósito de US$ 5 milhões para o escritório da mulher do Moro. Basta abrir a conta e esclarecer essa dúvida. Portanto, quem tem que fazer explicações sobre venda de decisões é Moro", afirma Gilmar Mendes.

Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a empreiteira Odebrecht, faz acusações contra a Lava Jato desde 2017. Naquele ano, reportagem do jornal Folha de S.paulo revelou relato de Tacla Duran no qual acusava o advogado Carlos Zucolotto, amigo de Moro e sócio de Rosangela, de tentar intermediar negociações paralelas de delação com a força-tarefa da Lava Jato. Segundo essa versão, o amigo teria feito um pedido de pagamento de US$ 5 milhões.

O imbróglio voltou ao noticiário após audiência de Tacla Duran via vídeo em Curitiba, no fim de março deste ano, e da decisão do então ministro Ricardo Lewandowski, do STF, de mandar o Ministério Público analisar eventuais provas desses relatos.

Moro já disse que não teme eventuais investigações oriundas de fotos e gravações entregues à Justiça e que Tacla Duran é um "criminoso confesso".

Menos de um mês depois, começaram a circular nas redes um vídeo em que Sergio Moro aparece em uma festa junina conversando com outras pessoas. Uma voz feminina, ao fundo, diz: "Está subornando o velho". Moro, então, responde: "Não, isso é fiança. Instituto para comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes".

Por causa do vídeo, a vice-procuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo denunciou Moro pela suposta prática de calúnia.

"Ao atribuir falsamente a prática do crime de corrupção passiva ao ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Ferreira Mendes, o denunciado Sergio Fernando Moro agiu com a nítida intenção de macular a imagem e a honra objetiva do ofendido, tentando descredibilizar a sua atuação como magistrado da mais alta Corte do país", disse ela.

Moro afirmou que "fragmentos do vídeo editado e divulgado por terceiros não revelam qualquer acusação contra o ministro Gilmar Mendes". "O senador Sergio Moro sempre se pronunciou de forma respeitosa em relação ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, mesmo quando provocado ou contrariado. Jamais agiu com intenção de ofender ninguém e repudia a denúncia apresentada de forma açodada pela PGR, sem base e sem sequer ouvir previamente o senador", afirmou o ex-juiz, em nota.

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