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Evento transmitido pela TV Câmara sobre ‘institucionalização da censura’ reproduz ataques ao STF

Evento transmitido pela TV Câmara sobre ‘institucionalização da censura’ reproduz ataques ao STF

Por Levy Teles/Estadão

11/05/2023 às 20:55

Atualizado em 11/05/2023 às 20:55

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Audiência na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados

Numa quinta-feira costumeiramente esvaziada na Câmara dos Deputados, deputados — entre eles, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lotaram o Plenário 11 da Casa para acompanhar o evento “institucionalização da censura no Brasil”, presidido por Gustavo Gayer (PL-GO). O ato foi transmitido para todo o Brasil pela página do YouTube da Câmara dos Deputados.

Com a presença de investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news e pessoas que tiveram as redes removidas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, bolsonaristas defenderam protestos nas ruas, atacaram as urnas eletrônicas e criticaram medidas de prevenção à Covid-19. Todos eles foram convidados por Gayer. Representantes das big techs Meta, Google e Twitter também foram chamados, mas preferiram se ausentar.

A participação de parlamentares num dia pouco movimentado levou Gayer a quebrar o protocolo e pedir que eles se levantassem. “Uma salva de palma para essas pessoas que estão de pé. Quinta-feira nesse horário os deputados já partiram para suas casas, para suas famílias. Alguns cancelaram seus voos para estarem aqui agora”, disse.

Ainda houve espaço para ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Alexandre de Moraes e ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), durante as 4 horas da audiência. Marcel van Hattem (Novo-RS) usou seu pronunciamento, por exemplo, para criticar a decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de retirar uma vaga do Novo em uma das vagas de rodízio da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas para dar ao PT, decisão chancelada por Pacheco, que também é presidente do Congresso. No fundo da sala, pessoas no auditório reproduziam notícias falsas, como a de que Lula venceu por uma fraude eleitoral.

O jornalista Guga Noblat foi alvo de ataque do deputado Mário Frias (PL-SP), que que bateu no telefone de Noblat enquanto ele o filmava. Segundo o jornalista, Frias ainda o chamou de “anão”.

Delegado Caveira (PL-PA) falou que haverá o momento de “empunhar espadas” e ir às ruas. “Devemos imediatamente fazer uma chamada nacional e convocarmos o verdadeiro Supremo para as ruas, que é o povo. Não podemos negociar as nossas liberdades. Conto com todo o povo patriota, todo o povo brasileiro para juntos empunharmos as nossas espadas e irmos para as ruas”, afirmou.

Houve ainda espaço para todo o público puxar o cântico “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”, transmitido no canal da TV Câmara, em que é possível observar pelo menos uma pessoa reproduzindo, com os dedos, uma arma dando tiros — gesto reproduzido por Bolsonaro durante a campanha de 2018.

A deputada Bia Kicis (PL-DF) fez críticas veladas às urnas eletrônicas e falou de censura ao contar de uma audiência feita com uma autoridade da Venezuela transmitida na TV Senado. Ela contou que essa autoridade disse que as urnas funcionavam “porque o governo vencia” e que perguntou se a urna era a Smartmatic.

Kicis alegou que a parte em que fez os questionamentos foi removida da transmissão. O questionamento reverbera uma teoria da conspiração em redes bolsonaristas que afirmam que a empresa teria manipulado eleições brasileiras pela urna eletrônica.

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