Joe Biden confirma que vai concorrer à reeleição nos EUA em 2024
Por Thiago Amâncio/Folhapress
25/04/2023 às 07:39
Foto: Reprodução

Há três anos, enquanto concorria à eleição presidencial contra Donald Trump, o democrata Joe Biden disse em comício na Califórnia que seria uma "ponte" para uma nova geração de líderes. Essa ponte é mais longa do que se esperava.
Após meses de especulação, Biden lançou de maneira discreta nesta terça-feira (25) sua campanha pela reeleição à Casa Branca com um vídeo em redes sociais. Supersticioso, a data marca três anos do início de sua última campanha, vitoriosa, à Presidência.
Aos 80 anos, o presidente mais velho da história dos Estados Unidos decidiu que vai concorrer novamente ao cargo, que, se reeleito, deixará com 86 anos.
Assim, pode repetir a eleição de 2020 com o ex-presidente Donald Trump como seu adversário, até aqui o favorito do lado republicano.
Será preciso convencer bem os eleitores. Pesquisa do canal americano NBC divulgada no domingo apontou que 70% dos eleitores não querem que ele concorra —para 48% deles, a idade avançada é o principal problema. Não será um trabalho de convencimento apenas para os democratas, porém, porque 60% dos eleitores também não quer Trump.
Politicamente, Biden tem o que mostrar. Conseguiu aprovar, ainda que com alguns percalços, projeto ambicioso com bilhões de dólares para infraestrutura, o Build Back Better, anunciado como uma espécie de novo "New Deal", pacote de reconstrução pós Crise de 1929. No ano passado, aprovou outro pacote bilionário para incentivo a energia limpa e combate a mudanças climáticas. Também tem na sua conta uma das melhores performances nas eleições de meio de mandato de democratas em décadas, após conseguir manter o Senado e evitar uma perda maior na Câmara no pleito legislativo do ano passado.
Por outro lado, vai ser bombardeado pelo estado da economia do país, após a inflação atingir recorde de 9,1% no ano passado e em meio a temores de recessão. E a aposta que fez na Guerra da Ucrânia, com mais de US$ 113 bilhões aprovados pelo Congresso em ajuda no ano passado enquanto cai o apoio da população à participação americana no conflito, pode cobrar seu preço.
Para Thomas Whalen, professor da Universidade de Boston, o principal ativo de Biden para convencer os eleitores é ter trazido a Casa Branca "à uma normalidade e racionalidade que não se viu no governo Trump, especialmente nos últimos dias, com a convocação de manifestantes para tentar reverter o resultado da eleição". "Acho que isso já é um ótimo argumento para a população".
Para ele, a idade não é um problema. Ronald Reagan foi criticado ao concorrer com quase 70 anos, e Dwight Eisenhower sofreu ataques do coração e um derrame enquanto estava no cargo, e ainda foi reeleito.
Apesar disso, e ainda que a Casa Branca defenda que ele tem plenas condições de saúde, é naturalmente visível que Biden não tem mais a agilidade de outrora, e às vezes precisa de ajuda para se locomover e se perde na leitura de discursos.
Whalen afirma que existem outros nomes jovens entre democratas que poderiam ser competitivos, como a governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, mas que seria ruim para o partido uma competição fratricida nas primárias, que só enfraqueceria Biden.
"Biden é moderado, fala com a classe trabalhadora, pode atrair eleitores independentes. Se algo não está quebrado, não é preciso consertar", diz.
O argumento da idade também perde força se o adversário de Biden nas urnas for Donald Trump, que em junho completa 77 anos.
Não deixará de ter um componente irônico, porém. Biden quase quatro décadas anos no Senado e, da primeira vez que foi eleito, em 1972, aos 25 anos, usou a juventude a seu favor para se contrapor à idade do adversário, então franco favorito na disputa, que tinha 63 anos. "Ele perdeu o brilho nos olhos que costumava ter", disse o jovem candidato na ocasião.
Até aqui, Biden só tem dois adversários declarados na própria legenda, nenhum deles perto de ser competitivo.
Na última semana, Robert F. Kennedy Jr, sobrinho do ex-presidente John Kennedy e mais conhecido por espalhar teorias conspiratórias questionando a eficácia da vacina contra a Covid-19, afirmou que iria concorrer —ele não tem apoio da família Kennedy, que tem um membro no governo Biden, Joe Kennedy 3º.
A outra é a escritora de auto-ajuda Marianne Williamson, que chegou a participar de algumas primárias na eleição de 2020.
Nomes outrora competitivos já não figuram nas bolsas de apostas de agora, como o do senador Bernie Sanders, que tem 81 anos, ainda mais velho que Biden. O atual secretário de Transportes, Pete Buttigieg, que também disputou as primárias em 2020, tem sido criticado por sua atuação no cargo, especialmente após o acidente de trem em Ohio que carregava carga química no começo de fevereiro.
Kamala Harris, antes vista como possível sucessora de Biden, não deslanchou no cargo de vice-presidente e tem hoje cerca de 40% de aprovação, contra 55% no começo do mandato, segundo agregador de pesquisas do site FiveThirtyEight.
Todos esses pontos, porém, poderiam ser superados com a máquina do Partido Democrata por trás, mas é improvável que eles concorram à Presidência com Biden no páreo.
