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Haddad faz mudança de última hora no arcabouço fiscal, para fixar metas de quatro anos
Haddad faz mudança de última hora no arcabouço fiscal, para fixar metas de quatro anos
Por Adriana Fernandes/Estadão Conteúdo
17/04/2023 às 12:01
Atualizado em 17/04/2023 às 17:22
Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil

O projeto do novo arcabouço fiscal pode ainda sofrer ajustes de última hora para mostrar maior compromisso com os parâmetros na “largada” da nova regra para as contas públicas.
Segundo apurou a reportagem, a versão final pode ficar com os valores dos parâmetros na lei complementar para os próximos quatro anos, mas deixando a possibilidade de mudança por lei ordinária a partir do próximo governo. O arcabouço fiscal é a regra proposta pelo governo Lula para substituir o teto de gastos, que desde 2017 atrela o crescimento das despesas à inflação. O projeto será enviado ao Congresso nesta segunda-feira, 17, ou amanhã.
Os parâmetros que devem estar no texto tratam do porcentual de 70% da variação da receita, que servirá de referência para crescimento das despesas de um ano para o outro. E também a banda de 0,6% (piso) a 2,5% (teto) que as despesas poderão crescer acima da inflação no orçamento da União. Ou seja, as despesas vão sempre crescer, no mínimo, 0,6% acima da inflação e, no máximo, 2,5%.
A ideia inicial era deixar os conceitos do arcabouço (o modelo de funcionamento) na lei complementar e os valores dos parâmetros em lei ordinária. Na prática, se confirmada, essa mudança pode deixar mais difícil a alteração dos parâmetros, já que a lei complementar exige um quórum mais qualificado do que uma lei ordinária. Uma lei complementar é aprovada pela maioria absoluta dos membros de cada casa. Já a lei ordinária é aprovada pela maioria simples.
Em última instância, o próximo governo pode querer mudar a velocidade do ajuste alternando o porcentual da receita que serve de base para o crescimento das despesas acima da inflação, além dos limites superior e inferior da regra de controle de gastos que consta no arcabouço.
Metas
Na semana passada, a trajetória de metas fiscais de resultado das contas públicas, anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não constará do texto do projeto.
O texto do projeto do novo arcabouço fiscal determinará que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) fixe a meta fiscal e estime os valores para os anos seguintes. Trata-se do mesmo modelo usado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O projeto do arcabouço conterá o intervalo da nova regra de controle do crescimento do gasto, mas a meta fiscal irá fixada no Projeto de LDO, que é encaminhado todos os anos ao Congresso no dia 15 de abril para definir as diretrizes da elaboração do orçamento do ano seguinte.
Segundo apurou a reportagem, a inovação no texto do projeto do novo arcabouço se dá porque será preciso explicitar na LDO o impacto da meta fiscal sobre a evolução da dívida pública.
Também será necessário explicar se houver divergência da meta fixada a cada ano na LDO da meta estimada no primeiro ano do governo para os anos seguintes. Fontes informaram à reportagem que é uma forma de limitar de antemão a variação do gasto.
No anúncio do novo arcabouço, no fim de março, o ministro da Fazenda se comprometeu com uma trajetória de resultados fiscais de déficit de 0,5% PIB em 2023, 0% em 2024, superávit de 0,50% em 2025 e de 1% no fim de 2026, último ano do governo Lula.
Se o resultado primário superar o limite máximo da meta, o excedente arrecadado pelo governo poderá ser direcionado para ampliar investimentos. Se o resultado primário ficar abaixo do limite mínimo da meta, as despesas poderão crescer só 50% do crescimento da receita (e não mais os 70% originais).
Ficarão de fora da nova regra despesas como o fundo da educação básica (Fundeb) e o piso da enfermagem já aprovado pelo Congresso. Os gastos mínimos com saúde e educação também voltam, em 2024, a obedecer a regra prevista na Constituição, apesar da intenção do governo de mudá-la a partir de 2025.
