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Governo mantém em novo arcabouço reajuste de despesas adotado após manobra de Guedes

Governo mantém em novo arcabouço reajuste de despesas adotado após manobra de Guedes

Por Fábio Pupo, Folhapress

18/04/2023 às 17:08

Atualizado em 18/04/2023 às 21:13

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

 Fernando Haddad, ministro da Fazenda

O governo escolheu em seu novo arcabouço fiscal a inflação do ano inteiro de 2023 para reajustar a base do limite de despesas para 2024, adotando uma opção que dá alívio extra para as despesas do ano que vem em comparação ao cenário em que o indicador até o meio do ano (acumulada em 12 meses) fosse o escolhido.

Até 2021, o teto de gastos previa que a limitação cresceria com base na inflação acumulada em 12 meses encerrados em junho. Naquele ano, no entanto, o então ministro Paulo Guedes (Economia) articulou uma mudança por meio de emenda constitucional para passar a considerar o intervalo de janeiro a dezembro (mais vantajoso na ocasião) e abrir espaço para mais gastos.

Em sua proposta de novo arcabouço fiscal, o governo poderia escolher a base de correção —já que o teto de gastos será revogado. E decidiu que o limite de despesas para o Executivo e os demais Poderes em 2024 usará como base os números de 2023 acrescidos pela inflação a ser verificada em todo o ano (além do crescimento real dos gastos, que ficará entre 0,6% e 2,5%).

A escolha por esse mecanismo favorece as despesas em 2024 porque o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) está vindo abaixo do esperado e deve continuar em desaceleração até meados de 2023, para, no segundo semestre, voltar a acelerar. O acumulado em 12 meses terminados em março, por exemplo, ficou em 4,65% –enquanto a previsão do mercado para o ano cheio é de 6,01%.

Até então, o governo indicava que o cálculo para o crescimento real dos gastos seria feito usando números até meados do ano (com base, principalmente, na receita líquida acumulada em 12 meses encerrados nesse período), mas sem o detalhe de como ficaria o cálculo da inflação. O texto, agora, traz o funcionamento.

Como a proposta de Orçamento do ano seguinte precisa ser enviada ao Congresso até agosto (antes, portanto, de se saber ao certo qual será a inflação do ano), será preciso levar em conta o IPCA registrado até junho mais a previsão calculada até dezembro. Posteriormente, o indicador será atualizado.

Segundo o governo, a medida tem como objetivo usar o modelo em vigor hoje, no teto de gastos —e, assim, reduzir eventuais dúvidas entre agentes econômicos sobre mudanças.

Além do cálculo do IPCA para atualizar o limite de despesas, continua previsto na proposta o mecanismo de crescimento real dos gastos.

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