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Equipe que cuida de site de Lula mantém rede no WhatsApp com ataques a Bolsonaro
Equipe que cuida de site de Lula mantém rede no WhatsApp com ataques a Bolsonaro
Por Vinícius Valfré/Estadão
24/04/2023 às 17:30
Atualizado em 24/04/2023 às 21:31
Foto: Reprodução/YouTube

A equipe que cuida das páginas pessoais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém mobilizada uma rede com centenas de grupos de WhatsApp, criados na campanha eleitoral, para “espalhar conteúdos” e “pautas do governo”. Além de disseminar realizações e anúncios do Palácio do Planalto, as mensagens trazem ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro e vêm com apelos para que sejam compartilhadas em massa.
“Repasse essa mensagem e lembre que Bolsonaro deve estar na cadeia! Prove que brasileiro não tem memória curta”, diz, em caixa alta, trecho de um texto compartilhado. O movimento vem sendo disparado pela equipe que cuida do site “lula.com.br”, anunciado pelo PT como o site oficial de Lula, antes dele ser eleito. Segundo o partido, o movimento nas redes reúne mais de 25 mil voluntários na organização dos grupos e como “caçadores de fake news”.
A mensagem, distribuída em 29 de março, aponta o que chama de “roleta de crimes” do ex-presidente e diz que ele “pode ser preso por qualquer um” deles. Roubo, corrupção, crimes contra a humanidade e uso irregular de verba pública são alguns dos relacionados. O caminho para acesso aos grupos no aplicativo de mensagens está disponível no site oficial do petista. A iniciativa é citada como “o maior movimento de Zap do Brasil”.
Os espaços foram criados no contexto da disputa eleitoral de 2022 para envio das propostas e de materiais de campanha de Lula e que foram repaginados para funcionar durante o governo. O teor das mensagens anti-Bolsonaro que ainda são disparadas nos grupos destoa do “esquecimento” do seu antecessor que o atual presidente recomenda em público aos seus aliados.
Em uma reunião com presidentes de partidos e líderes da base aliada no Congresso, em fevereiro, Lula sugeriu distância de Bolsonaro. “Acho que é bom a gente esquecer quem governou esse país até o dia 31 de dezembro, mas a gente não deve esquecer nunca da tentativa de golpe no 8 de janeiro”, frisou.
As mensagens dos grupos petistas são enviadas com emojis (ilustrações animadas) e com linguagem e formato propícios à viralização. Elas são casadas com a agenda política e pensadas para ampliar a pressão sobre Bolsonaro. Em 28 de março, o jornal Estado de São Paulo revelou que Bolsonaro recebeu de presente um conjunto de joias com Rolex de diamante e levou os objetos com ele ao encerrar o mandato. No WhatsApp, o PT atiçou a militância a explorar o episódio. “Tá chovendo diamante e Rolex por aí? Na família Bolsonaro tá sim. Jair pegou o Rolex! O fujão levou um relógio cheio de diamantes, mais uma caneta cheia de pedras, abotoaduras e um rosário”, dizia a mensagem.
O grupo também funciona para dissipar a agenda negativa com que Lula se depara. O presidente foi fortemente criticado, por exemplo, ao dizer que o plano do PCC para matar o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) seria “mais uma armação” do ex-juiz da Lava Jato.
Com o mal-estar causado pela declaração que colocou em xeque o trabalho da Polícia Federal, os grupos do PT passaram a disseminar “cinco passos” para esclarecer a “mentira que estão falando de Lula x Moro”. Entre eles, a versão de que “Moro está vivo e seguro pela PF do governo Lula” e queixas sobre falta de “agradecimentos ao governo federal e ao Ministério da Justiça” pelo senador da oposição.
Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República informou que não cuida do site www.lula.com.br. Por isso, afirma que “não participa dos chamamentos e disparos via WhatsApp e não tem ingerência sobre a administração do canal, bem como do conteúdo produzido e publicado”. A Secretaria de Imprensa da Presidência esclareceu ainda que ela administra apenas o Twitter oficial do presidente “como ação complementar ao trabalho de assessoria de imprensa”. O PT ainda não se manifestou.
