Eleito não transformará modelo que dura 60 anos no Paraguai, diz Efraín Alegre
Por Júlia Barbon / Folha de São Paulo
21/04/2023 às 13:30
Atualizado em 21/04/2023 às 13:37
Foto: Cesar Olmedo/Reuters

Sempre em tom moderado, Efraín Alegre repete as palavras "acordo" e "consenso" 30 vezes em pouco mais de 20 minutos de entrevista à Folha. É a grande aposta do candidato para chegar à Presidência do Paraguai nas eleições do próximo dia 30. Mas também para permanecer nela.
Ele admite que, mesmo se ganhar, o próximo "mandato não vai transformar um modelo que já dura mais de 60 anos" no país vizinho e afirma que a grande coalizão que lidera, com centro-direita, centro-esquerda e esquerda, vai precisar de um projeto de longo prazo para realizar mudanças.
Presidente do Partido Liberal Autêntico, ele disputa o cargo com o conservador Santiago Peña, do Colorado. A sigla adversária comanda o país desde a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), com exceção da gestão do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), que sofreu um impeachment.
Alegre já tentou chegar à Presidência em outras duas oportunidades, em 2013 e 2018, e seguia no segundo lugar em pesquisas divulgadas até o início de março. Mas nas últimas semanas a disputa ficou mais acirrada, e uma vitória da oposição agora é vista como uma possibilidade real.
Por vídeo, Alegre também disse que o Paraguai não tem capacidade de frear o crime organizado na fronteira e pediu a ajuda de Brasil e Argentina. Sinalizou ainda concordância com o presidente Lula (PT) na aproximação com a China e repetiu que pode romper relações com Taiwan. Por outro lado, indicou que pode ser uma pedra no sapato na renegociação da divisão da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu, que deve ocorrer neste ano, após as eleições. "O modelo atual não convém ao Paraguai."
