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Regra fiscal crível ajuda a reduzir inflação, mas anúncio não tem relação direta com juros, diz BC em ata

Regra fiscal crível ajuda a reduzir inflação, mas anúncio não tem relação direta com juros, diz BC em ata

Por Nathalia Garcia/Folhapress

28/03/2023 às 09:22

Atualizado em 28/03/2023 às 17:02

Foto: Leonardo Sá/Arquivo/Agência Senado

Sede do Banco Central do Brasil

Uma regra fiscal "sólida e crível" pode ajudar no processo de desinflação ao produzir efeitos nas expectativas, embora a apresentação do novo marco não tenha relação direta com a política de juros, afirmou o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central conforme ata divulgada nesta terça-feira (28).

"O comitê seguirá acompanhando o desenho, a tramitação e a implementação do arcabouço fiscal que será apresentado pelo governo e votado no Congresso. O Copom enfatizou que não há relação mecânica entre a convergência de inflação e a apresentação do arcabouço fiscal, uma vez que a primeira segue condicional à reação das expectativas de inflação, às projeções da dívida pública e aos preços de ativos", afirmou.

"O comitê destaca que a materialização de um cenário com um arcabouço fiscal sólido e crível pode levar a um processo desinflacionário mais benigno através de seu efeito no canal de expectativas, ao reduzir as expectativas de inflação, a incerteza na economia e o prêmio de risco associado aos ativos domésticos", acrescentou.

O colegiado do BC também destacou que o processo de desinflação requer "serenidade e paciência" na condução dos juros, uma vez que a dinâmica movida por excesso de demanda se deslocou para o setor de serviços.

"Observa-se assim uma dinâmica inflacionária movida por excessos de demanda, inicialmente em bens e que atualmente se deslocou para o setor de serviços, e que, portanto, requer moderação da atividade econômica para que os canais de política monetária atuem", disse.

"Tal processo demanda serenidade e paciência na condução da política monetária para garantir a convergência da inflação para suas metas."

Na última quarta-feira (22), o BC não cedeu à pressão pela redução dos juros, contrariou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e manteve a taxa básica (Selic) em 13,75% ao ano.

A decisão do colegiado do BC e o tom duro do comunicado foram alvo de críticas do presidente, que disse que "a história julgará" as decisões do BC, e de membros do primeiro escalão do governo.

A ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) disse na semana passada que esperava uma ata "imparcial e justa com o Brasil" e que era preciso aguardar. Já nesta segunda-feira (27), véspera da divulgação do novo documento, ela afirmou que o comunicado mandou um recado equivocado.

Sua crítica pública se somou ao comentário do ministro Fernando Haddad (Fazenda), que disse considerar "muito preocupante" o tom do comunicado do BC, e do ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais), que classificou a Selic em 13,75% ao ano como "desproporcional".

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), chegou a ir às redes sociais questionar, de forma retórica, se o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, não entendeu o "compromisso" dele com o Brasil. As centrais sindicais também reagiram de forma negativa.

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