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Lula vê 'armação' de Moro em ameaças do PCC, mas diz não querer acusar sem provas

Lula vê 'armação' de Moro em ameaças do PCC, mas diz não querer acusar sem provas

Por Italo Nogueira, Folhapress

23/03/2023 às 15:02

Atualizado em 23/03/2023 às 15:02

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

'Não sei o que ele vai fazer da vida se continuar mentindo do jeito que ele está mentindo', afirma presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) achar ser "uma armação" do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) o plano do PCC descrito pela Polícia Federal para atacar o ex-juiz da Lava Jato.

"Eu não vou falar porque acho que é mais uma armação do Moro. Quero ser cauteloso, vou descobrir o que aconteceu. Mas é visível que é uma armação do Moro", disse o presidente.

A ameaça sobre o senador foi descrita pelo ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), ao divulgar a operação contra a facção criminosa nesta quarta (22).

Lula, porém, expôs suspeita sobre a atuação da juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro na condução da Operação Lava Jato na Justiça Federal de Curitiba e responsável por assinar os mandados de prisão.

"Vou pesquisar o porquê da sentença. Fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele."

Lula alternou o benefício da dúvida para o ex-juiz com ironias na fala.

"Mas isso vou esperar. Não vou ficar atacando ninguém sem ter provas. Acho que é mais uma armação. E se for mais uma armação, ele vai ficar mais desmascarado ainda. Não sei o que ele vai fazer da vida se continuar mentindo do jeito que ele está mentindo", afirmou ele, em visita ao Complexo Naval de Itaguaí (RJ), onde é desenvolvido o programa do submarino nuclear da Marinha.

Como ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL), Moro atuou na transferência de vários chefes do PCC, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para o sistema penitenciário federal.

O principal chefe do PCC foi transferido do sistema penitenciário estadual de São Paulo para a penitenciária federal em Brasília em fevereiro de 2019. Meses depois, seguiu para uma unidade federal em Rondônia e depois retornou para a capital federal.

Além dele, outros 21 integrantes da cúpula da facção foram transportados naquele momento em um avião das Forças Armadas a partir do aeroporto da vizinha Presidente Prudente (SP) para a transferência.

Os ataques contra Moro e outras autoridades, segundo a apuração, ocorreriam de forma simultânea, e os principais alvos estavam em São Paulo e no Paraná. Em São Paulo, o alvo era o promotor Lincoln Gakiya, que atua há anos em investigações sobre a atuação do PCC.

Porém, como mostrou a Folha, os motivos que levariam Moro a entrar na lista do PCC ainda são alvo de análise por parte de integrantes das forças de segurança de São Paulo. Isso porque, até o final de 2022, o nome do ex-juiz e senador pela União Brasil não constava de lista dos serviços de inteligência paulista sobre os "decretados".

Isso enfraquece a tese de que ele poderia ter entrado na mira da facção criminosa por ter participado da transferência de presos ao sistema federal em 2019.

Nesta semana, ao relembrar o período em que ficou preso em Curitiba, Lula disse que pensava em vingança contra o ex-juiz da Lava Jato.

"De vez em quando ia um procurador, entrava lá de sábado, dia de semana, para perguntar se estava tudo bem. Entravam três ou quatro procuradores e perguntavam: 'está tudo bem?' '[Eu respondia:] não está tudo bem. Só vai estar tudo bem quando eu foder esse Moro. Vocês cortam a palavra 'foder'", afirmou o presidente durante entrevista ao portal Brasil 247.

Também nesta quinta, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que a operação da Polícia Federal para desmantelar plano da facção criminosa para atacar autoridades é a "maior retratação" à fala de Lula.

"Acho que a maior retratação que foi feita foi a ação da Polícia Federal que protege a vida de todas as autoridades, não só do ex-juiz, do senador, mas de todas as autoridades que possam ser ameaçadas. É mais uma demonstração de ação firme por parte do governo federal, de ação firme da Polícia Federal, uma ação republicana da Polícia Federal que protege e vai salvar, proteger a vida de todos aqueles que sejam ameaçadas", afirmou Padilha.

Moro foi o juiz responsável por uma série de condenações pela operação Lava Jato, inclusive a que manteve o hoje presidente Lula (PT) preso por 580 dias entre 2018 e 2019.

No final de 2018, Moro abandonou a magistratura para, no ano seguinte, assumir o cargo de ministro da Justiça da gestão de Bolsonaro. Em 2020, porém, Moro deixou o governo Bolsonaro, rompido com o presidente, e, em 2021, foi considerado parcial pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em condenação de Lula.

O ex-juiz se filiou ao Podemos para disputar a Presidência em 2022, agora como rival tanto do petista como de Bolsonaro. Acabou decidindo concorrer a senador no Paraná pela União Brasil e foi eleito.

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