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Governo baiano precisa de líder com cabeça boa como a de Jerônimo, por Raul Monteiro*
Governo baiano precisa de líder com cabeça boa como a de Jerônimo, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
03/03/2023 às 08:08
Atualizado em 03/03/2023 às 08:14
Foto: Divulgação

O suado processo pelo qual o governo baiano vai bancar a indicação da ex-primeira-dama Aline Peixoto à vaga de conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios não justifica a perda de equilíbrio do seu líder na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), nem os ataques que, de tempos em tempos, dirige à mídia que reputa 'malévola' quando acha que o contraria, desta vez personificada nas figuras do jornalista João Pedro Pitombo e do jornal Folha de São Paulo, do qual é correspondente em Salvador, responsáveis por produzir o até agora mais vasto material sobre o tema.
Não há no trabalho que o periódico e seu representante baiano têm realizado sobre o assunto qualquer reparo a se fazer, tanto do ponto de vista de sua excelente apuração quanto da técnica de que se utiliza para abordá-lo. Infelizmente, não é o que se pode dizer de Rosemberg, um deputado, diga-se de passagem, useiro e vezeiro na fajuta tática de atacar a imprensa, ao qual os colegas não dão muito crédito, mas que, por conta da posição institucional com a qual o governo o premiou, acaba forçando sua própria presença. A habilidade, de fato, não é o forte do companheiro petista que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) acabou herdando.
Qualquer parlamentar com boa cabeça, no lugar do líder do governo, neste momento, reconhecendo o desafio da empreitada que o grupo governista impôs à bancada e ao seu próprio papel na condução dela, procuraria habilidosamente contornar os obstáculos que as circunstâncias têm criado, evitando fazer marolas que apenas alimentam a reação. Mas seu estilo intolerante apenas acende as atenções sobre o assunto, ampliando o desgaste sobre todos os atores envolvidos. Rosemberg não consegue compreender que a desastrada tentativa de atrair os holofotes para si mais dificultam do que facilitam o processo. Vê-se logo que trabalha com conceitos ultrapassados.
A pronta resposta contra as declarações do deputado, nos bastidores políticos, mas principalmente da parte de entidades como o Sinjorba e a Fenaj, mostraram, felizmente, que a tentativa de intimidação teve o efeito contrário. Mesmo em seu partido, não houve quem corroborasse com o ataque que, aliás, se repete contra o mesmo jornalista, a quem já há algum tempo vem acusando de ser contra a Bahia, repetindo uma inverdade que revela sua mais completa falta de noção sobre a importância de o jornalismo se manter inamistoso contra o poder em favor da sociedade.
Na falta de argumentos e da capacidade de responder inteligentemente às dificuldades que surgem pelo caminho do governo, o líder parte para um tudo ou nada absolutamente descabido, forçando a que colegas comprometidos com o governo cumpram o papel que caberia a ele exercer. Para não corroborar com a péssima imagem que Rosemberg criou com as agressões que faz contra uma instituição tão fundamental à democracia quanto o próprio Parlamento que integra, o novo governo deveria, por bem, substituí-lo, antes que cause mais danos. Há, com certeza, gente muito mais habilitada para a função na Casa à espera apenas de uma oportunidade para mostrar o seu valor.
*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
