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Escândalo das joias de diamantes foi operado por base militar de Bolsonaro; veja quem faz parte
Escândalo das joias de diamantes foi operado por base militar de Bolsonaro; veja quem faz parte
Por Por Adriana Fernandes e André Borges/Estadão
10/03/2023 às 16:10
Atualizado em 10/03/2023 às 16:10
Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

Pelo menos sete militares tiveram protagonismo nas ações do governo Jair Bolsonaro ficar ilegalmente as joias das Arábias ao Brasil. Do primeiro-sargento que pegou um avião da FAB e desembarcou em Guarulhos para retirar os diamantes até o almirante que que escondeu que carregava o segundo pacote nas malas, as digitais da caserna estão em vários episódios do escândalo e constrangem as Forças Armadas.
O caso tem início com o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Almirante de Esquadra da Marinha, ele representava o presidente Jair Bolsonaro na comitiva que, em outubro de 2021, esteve em Riade, na Arábia Saudita, e recebeu os presentes que seriam entregues, como ele próprio declarou, ao presidente e à primeira-dama.
Com Albuquerque, estava Marcos André dos Santos Soeiro. Tenente da Marinha, Soeiro era o assessor naquela comitiva e foi quem teve as joias apreendidas em Guarulhos, pela Receita Federal, ao tentar entrar no irregularmente no País sem declarar bens à fiscalização. Naquele dia 26 de outubro, quando foi abordada pelos auditores, a comitiva do presidente foi informada sobre os trâmites para entrarem com presentes oficiais para a Presidência da República, mas não optarem por esse caminho. Além disso, não informaram que, em outra mala, havia uma segunda caixa de presentes – com itens como relógio e caneta de ouro – e que esta tinha passado pela alfândega irregularmente e sem declaração.
A partir da apreensão, um novo bloco de militares seria acionado por Bolsonaro e passaria a atuar no caso, na tentativa de retirar as joias que eram destinadas a Michelle Bolsonaro. José Roberto Bueno Junior, contra-almirante da Marinha, foi chefe de gabinete de Bento Albuquerque e assinou ofícios da pasta tentando liberar as joias apreendidas em Guarulhos.
O caso chegaria a Julio Cesar Vieira Gomes, ex-oficial da Marinha do Brasil, e então secretário que comandava a Receita Federal. Ele chegou à chefia do órgão um mês depois de os itens serem apreendidos em Guarulhos. Próximo da família Bolsonaro, Gomes faria diversas incursões para tentar liberar os itens estimados em cerca de R$ 16,5 milhões. Seus atos envolveriam, inclusive, diversas tentativas extraoficiais, como envio de mensagens por Whatsapp, e-mails e ligações telefônicas aos auditores da Receita. A pressão chegou a tal ponto que Gomes foi alvo de denúncia por parte desses fiscais junto à Corregedoria do Ministério da Fazenda.
Dentro do Palácio do Planalto, Bolsonaro acionou, ainda, uma série de militares que tentaram transformar as joias em itens de seu “acervo pessoal”, e não da Presidência da República. Coube ainda aos integrantes das Forças Armadas irem até a alfândega, em Guarulhos, fazer uma tentativa final de reaver os diamantes.
Mauro Cid, que é tenente-coronel do Exército, cumpriu a ordem de Bolsonaro e solicitou que as joias fossem cadastradas no sistema federal como “acervo privado”, mesmo sem ter colocado as mãos nos bens. Esse cadastramento seria feito pelo Gabinete Adjunto de Documentação Histórica. À frente da Ajudância de Ordens do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Mauro Cid também teve apoio de Cleiton Henrique Holzschuk, segundo-tenente do Exército. Assessor de Mauro Cid, Holzschuk enviou ofício do departamento para pedir a liberação das joias para o presidente Bolsonaro.
A missão de Mauro Cid não ficaria apenas nisso. Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e braço-direito do ex-presidente, Cid também é quem enviou um emissário a Guarulhos em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), no dia 29 de dezembro do ano passado, para tentar retirar as joias dos cofres da Receita.
Essa tarefa foi dada a Jairo Moreira da Silva. Primeiro-sargento da Marinha, Jairo tentaria, com documentos exibidos na tela do celular, convencer o auditor da Receita a liberar as joias. Na alfândega e de frente ao fiscal, em Guarulhos, ele conversaria ainda, por telefone, com Mauro Cid e o próprio chefe da Receita, Julio Cesar Veira Gomes, para dar uma cartada final. “Não pode ter nada do antigo pro próximo, tem que tirar tudo e levar”, disse Jairo. Nada teria êxito, dada a retidão dos auditores da Receita que atuaram no caso.
Dentro das Forças Armadas, o sentimento geral é de constrangimento, dado o grau de envolvimento dos militares com o caso.
Os militares envolvidos no escândalo
Bento Albuquerque
Almirante de Esquadra da Marinha, era ministro de Minas e Energia no governo Bolsonaro e liderou a comitiva que tentou entrar com as joias irregularmente no Brasil
Marcos André dos Santos Soeiro
Tenente da Marinha, era o assessor do ministro Bento Albuquerque e foi quem teve as joias apreendidas em Guarulhos, ao tentar entrar no País sem declarar que estava com os presentes
Julio Cesar Vieira Gomes
Ex-oficial da Marinha do Brasil, era o secretário que comandava a Receita Federal na gestão Bolsonaro e atuou diretamente para tentar liberar as joias, sob orientação do presidente
José Roberto Bueno Junior
Contra-almirante da Marinha, foi chefe de gabinete de Bento Albuquerque e assinou ofícios da pasta tentando liberar as joias apreendidas em Guarulhos
Mauro Cid
Tenente-coronel do Exército, cumpriu a ordem de Bolsonaro e enviou um emissário em avião da FAB, para tentar retirar as joias apreendidas no aeroporto de Guarulhos
Jairo Moreira da Silva
Primeiro-sargento da Marinha, foi o emissário enviado por Bolsonaro até Guarulhos, para tentar retirar as joias dos cofres da alfândega
Cleiton Henrique Holzschuk
Segundo-tenente do Exército, era assessor da Ajudância de Ordens do Gabinete Pessoal do Presidente da República e enviou ofício do departamento que pedia a liberação das joias para o presidente Bolsonaro
