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Procurador das 'rachadinhas' diz que Receita dará resposta após ter seus dados acessados sob Bolsonaro
Procurador das 'rachadinhas' diz que Receita dará resposta após ter seus dados acessados sob Bolsonaro
Por Ranier Bragon/Folhapress
27/02/2023 às 16:02
Atualizado em 27/02/2023 às 16:02
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

O ex-procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro Eduardo Gussem afirmou à Folha que não pretende se manifestar sobre os acessos imotivados a seus dados fiscais em 2019, ano em que coordenava as investigações do caso das "rachadinhas", e que uma resposta a isso deve ser pela investigação da Receita sobre o caso.
Gussem, que se aposentou em 2021, afirmou que optou nessa nova fase da carreira a não se manifestar sobre casos em que atuou no Ministério Público.
"Meus dados na Receita e em qualquer lugar são hígidos e falam por si. A investigação interna [na Receita] deve dar melhor resposta", se limitou a dizer Gussem.
O jornal Folha de S.Paulo revelou nesta segunda-feira (27) que Ricardo Feitosa, chefe da inteligência da Receita Federal no início da gestão Jair Bolsonaro acessou e copiou dados fiscais sigilosos de Gussem e de dois políticos que haviam rompido com a família presidencial, o empresário Paulo Marinho e o ex-ministro Gustavo Bebianno.
Não havia nenhuma investigação formal na Receita que justificasse essa ação. Feitosa nega que tenha vazado dados sigilosos.
Marinho disse à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha, que foi "invadido pela 'máquina do estado' no governo de Jair Bolsonaro.
"É um uso descarado da máquina do estado contra o cidadão, que nos deixa em situação de fragilidade diante da autoridade pública", afirmou Marinho, que participou ativamente da campanha de Bolsonaro, mas que rompeu com o então presidente logo no início da gestão.
Bebianno foi o primeiro ministro demitido do governo Bolsonaro, em fevereiro de 2019, ao se tornar o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto depois de ter sido revelada a existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral.
Desde a demissão, passou a ser uma voz crítica a Bolsonaro e à interferência de seus filhos. Ele morreu em março de 2020, vítima de infarto, de acordo com a família.
