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Os circuitos do Carnaval precisam ser locais seguros para as mulheres, diz Ireuda Silva

Os circuitos do Carnaval precisam ser locais seguros para as mulheres, diz Ireuda Silva

Por Redação

06/02/2023 às 09:51

Atualizado em 06/02/2023 às 09:51

Foto: Divulgação

Lançamento da segunda edição campanha Meu corpo não é sua fantasia, em 2020

O Carnaval começa em 10 dias e já acende um alerta para as mulheres: os atos de assédio e violência sexual e física que se disseminam nos circuitos da festa. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência, 48% das mulheres brasileiras afirmam ter sofrido algum tipo de assédio ou importunação em algum evento carnavalesco. Para a vereadora de Salvador Ireuda Silva (Republicanos), idealizadora da campanha "Meu corpo não é sua fantasia", o poder público precisa preparar suas estruturas para coibir esse tipo de agressão e dar suporte às vítimas.

"Esses machistas que se acham os donos da festa devem ser enquadrados como merecem", defende a republicana, que ressalta: "Grandes festas populares são ocasiões muito propensas a episódios de violência, principalmente contra aqueles mais socialmente vulneráveis. Nesse sentido, vemos a intensificação de algo que acontece com a mulher o ano inteiro, que é a violência em suas mais diversas formas".

Ainda de acordo com Ireuda, esse tema deve ser prioridade na agenda dos organizadores do Carnaval em todo o país. "Os circuitos precisam ser locais seguros e de convivência harmônica para as mulheres, com ações de conscientização, orientação e também de repressão a atos violentos", pontua. "Por outro lado, o Carnaval é uma oportunidade para darmos maior visibilidade a um problema milenar, que é o risco constante vivido pelas mulheres, seja fora ou dentro de casa. O risco de apanhar, de sofrer violência verbal, moral, psicológica e sexual, e até de ser assassinada. Quanto mais se discute, mais se avança na luta contra o machismo", acrescenta Ireuda.

Criada em 2019, a campanha “Meu Corpo Não é Sua Fantasia” percorre os circuitos da folia levando informação e tentando promover a conscientização para um problema que se intensifica a níveis alarmantes em períodos de festas populares. Na Bahia, dados oficiais revelam que uma mulher é agredida a cada 56 minutos. E, segundo a organização internacional ActionAid, 86% das brasileiras já sofreram assédio em público. Outra pesquisa, realizada em 2019, aponta que 97% das mulheres dizem já ter sofrido assédio sexual nos transportes público e privado no país.

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