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Por que o caos interessa a Jair Bolsonaro e a seus apoiadores extremistas, por Raul Monteiro*

Por que o caos interessa a Jair Bolsonaro e a seus apoiadores extremistas, por Raul Monteiro*

Por Raul Monteiro*

12/01/2023 às 07:24

Atualizado em 12/01/2023 às 07:32

Foto: Reprodução/Arquivo

Olavo de Carvalho explica porque não faz o menor sentido alegar que o vandalismo brasiliense foi coisa de ‘infiltrado’

Ainda há quem, do lado, naturalmente, do ex-presidente em fuga Jair Bolsonaro (PL), acredite que os os vândalos que destruíram instalações e objetos de valor dos Três Poderes em Brasília sejam elementos infiltrados pelo PT para gerar o caos e a desordem generalizadas no país. Falta informação aos pobres incautos, que provavelmente não leram, viram ou assistiram a uma das inúmeras dicas do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho. É possível ver o falecido em pelo menos um vídeo chamando os representantes das Forças Armadas brasileiras de 'bundas-moles' e apresentando sua tática para a deflagração de um golpe de Estado no Brasil.

Pela visão de Olavo, não se sabe se a partir de sua própria interpretação da história nacional, as FFAA não perpetram uma tomada de poder 'de ofício'. Elas esperam que o povo, em revolta, quebre tudo, se esgoele e mate, se for preciso, para, então, se apresentarem como agentes da ordem e da segurança, assumindo assim o controle político e administrativo do país. Sob o ponto de vista do teórico do bolsonarismo, portanto, não há dúvida de que foram os seguidores do ex-presidente, influenciados por seu próprio espírito autoritário e o dele, que tocaram o terror em Brasília no último domingo.

Assim como são eles - e não os petistas, embora não se deixe de identificar em grande parte dos segundos o mesmo ímpeto radical - que continuam, por meio das redes sociais, buscando engajar aliados em ações cujo objetivo é produzir uma conflagração nacional, a exemplo de tomar de assalto refinarias para impedir a distribuição de combustíveis e paralisar o país do Oiapoque ao Chuí ou participar de uma mega-manifestação pela "retomada" do poder, a qual estava programada para ontem, às 18h. São todas iniciativas, portanto, distantes de qualquer compromisso com as regras do jogo democrático e a paz social.

Ademais, não há como descartar que a engenharia do caos, que começa naturalmente com quebra-quebras como os assistidos por todos no domingo pelas emissoras de TV e as redes sociais, seja de interesse máximo do ex-presidente. Não fosse assim, ele não teria publicado um vídeo insinuando mais uma vez que houve fraude eleitoral no país, um dos argumentos com que mais atiça a turba que o apóia, ainda na noite de terça-feira, quando o noticiário sobre os atentados de domingo sequer havia chegado à temperatura máxima. O motivo sobre a aposta de Bolsonaro no sentido de deixar a fogueira crepitando é fácil de descobrir.

Primeiro, ele sabe que seus dias nos Estados Unidos podem estar contados. Preocupados com a onda contra a democracia que percorre o mundo, mas recebe incentivos corriqueiros do ex-presidente de uma Nação próxima e importante, parlamentares democratas americanos já revelaram interesse em pedir sua extradição. Se for forçado a deixar o auto-exílio, Bolsonaro não tem porque aguardar dias tranquilos no Brasil, onde o apelo por sua responsabilização pela tentativa de golpe no país apenas aumentou desde os conflitos de domingo passado. Voltar sob o caos pode ser, para ele, portanto, não só a glória como a única saída.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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