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Ministros de Lula falam em tentativa de golpe de Estado com minuta de decreto

Ministros de Lula falam em tentativa de golpe de Estado com minuta de decreto

Por Marianna Holanda/Renato Machado/Victoria Azevedo/Thaísa Oliveira/João Gabriel/Folhapress

12/01/2023 às 18:52

Atualizado em 12/01/2023 às 19:08

Foto: Reprodução/TV Brasil

Ministro da Secretaria das Relações Institucionais, Alexandre Padilha

Ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem que a descoberta da minuta de decreto para Jair Bolsonaro (PL) alterar o resultado das eleições presidenciais se soma aos ataques golpistas do último domingo (8), que depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

O ministro da Secretaria das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que fica comprovado que o objetivo era 'fabricar o caos para enterrar a democracia'.

"À medida que as investigações avançam, fica ainda mais claro o objetivo criminoso de quem financiou, organizou e realizou os atos do último domingo. Bolsonaro e seus seguidores, derrotados pela vontade soberana que os brasileiros manifestaram nas urnas, queriam fabricar o caos para enterrar a democracia. A tentativa de golpe foi detalhadamente premeditada e esboçada, mas nós não vamos deixar que seus autores saiam impunes", disse Padilha, em nota.

Nesta quinta-feira (12), a Polícia Federal encontrou na residência de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, uma minuta (proposta) de decreto para o então presidente Bolsonaro instaurar estado de defesa na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O objetivo, segundo o texto, era reverter o resultado da eleição, em que Lula saiu vencedor. Tal medida seria inconstitucional.

Já o ministro da Justiça e Segurança, Flávio Dino, disse que o documento mostra a tentativa de um golpe de Estado. Entretanto, ele disse que fracassou, assim como a tentativa de 8 de janeiro.

"Pelo que consta de tais matérias, era um decreto como você menciona, um golpe de Estado. O que enfatiza que o que nós vimos aqui no dia 8 de janeiro não foi algo isolado. Na verdade, foi um elemento de uma cadeia, um elo de uma corrente golpista no Brasil e que havia atos preparatórios espantosos como esse decreto de intervenção militar do TSE. E a gravidade é óbvia porque isso é inconstitucional", disse em entrevista à CNN.

Outros ministros do governo também se manifestaram. Nas redes sociais, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, chamou a minuta de decreto encontrada na casa do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro de "mais uma prova de tentativa de golpe".

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse, nas redes sociais, que "está cada vez mais claro que o plano de Bolsonaro sempre foi dar um golpe de Estado, com apoio da sua gangue e dos seus terroristas nas ruas".

Reservadamente, auxiliares palacianos e integrantes do primeiro escalão do governo admitem que a descoberta da minuta representa a concretização do golpismo e desrespeito à democracia.

Há uma cautela em comentar, também, por desconhecerem ainda o conteúdo completo do documento. O material tem indicação de ter sido feito após a realização das eleições e teria objetivo de apurar abuso de poder, suspeição e medidas ilegais adotadas pela presidência do TSE antes, durante e depois do processo.

Após deixar o ministério, Torres virou secretário de Segurança do Distrito Federal e teve a sua prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, por suspeita de ter comprometido a operação de segurança das manifestações golpistas de domingo.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o documento encontrado pela PF cita o restabelecimento imediato da lisura e correção da eleição de 2022.

No Congresso, a base do presidente Lula se dividiu entre acionar o STF e adotar cautela, ainda que vejam também tentativa de golpe com a minuta do decreto.

O líder do governo Lula no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que vai pedir ao STF a abertura de um novo inquérito contra Torres e Bolsonaro.

"Estamos peticionando ao STF pedindo a instauração de um novo inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado, incluindo o sr. Anderson Torres e o sr. Jair Bolsonaro. Eles não passarão", anunciou o senador pelas redes sociais.

Já aliados de Lula na Câmara dos Deputados avaliam que, antes de tomar qualquer ação, é o momento de deixar o Judiciário dar as cartas contra Bolsonaro, e que ações como pedidos de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) devem aguardar o início da próxima Legislatura.

O entendimento de parlamentares ouvidos sob anonimato é de que o documento, por si só, não comprova a relação direta do ex-presidente com o caso, mas se soma à lista de fatos ---por exemplo, a atuação da Polícia Federal Rodoviária no dia do segundo turno —na qual a interferência dele deve ser apurada, talvez como a com o maior potencial de responsabilização.

"É evidente que o documento foi elaborado sob a orientação do ex-presidente Bolsonaro, o principal beneficiado. Assim, ele deve também ser responsabilizado por mais essa tentativa de interferir no resultado eleitoral e na democracia brasileira", afirmou o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG).

"Mais uma prova de quanto os dois são criminosos. Sigo defendendo o rigor da lei, eles precisam ser punidos", completa Zeca Dirceu (PT-PR), que ocupará o posto na próxima Legislatura.

"Isso é uma prova concreta de tentativa de golpe. Bolsonaro ia rasgar a Constituição para se perpetuar no poder", disse, por sua vez, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).

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