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Lula se reúne com ministros para tratar da crise humanitária dos yanomamis

Lula se reúne com ministros para tratar da crise humanitária dos yanomamis

Por Renato Machado e Raquel Lopes/Folhapress

30/01/2023 às 09:35

Atualizado em 30/01/2023 às 09:35

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

O presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne na manhã desta segunda-feira (30) com ministros para tratar da crise humanitária envolvendo o povo indígena yanomami.

A equipe de Lula afirma que o encontro vai ser para tratar dos próximos passos e ações governamentais para tentar debelar a crise. Lula vai receber os ministros José Múcio (Defesa), Silvio Almeida (Direitos Humanos), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

Também vão participar o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, e a futura presidente da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), a deputada Joenia Wapichana.

Na sexta-feira, o Ministério dos Direitos Humanos criou um gabinete de crise para enfrentar a crise humanitária no território yanomami. A formação do gabinete foi prevista em portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

O órgão será responsável por realizar visitas técnicas à região, elaborar um diagnóstico das principais violações de direitos humanos, propor medidas emergenciais e criar um plano de ações.

Uma portaria assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, nesta segunda-feira (30), criou um grupo de trabalho com a finalidade de propor medidas contra a atuação de organizações criminosas, inclusive com a exploração do garimpo, em terras indígenas.

O grupo será composto por membros do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério de Minas e Energia, Ministério da Defesa, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e Ministério da Fazenda. O grupo terá 60 dias para a conclusão dos seus trabalhos.

No sábado (21), antes de sua primeira viagem internacional, acompanhado de ministros, Lula visitou unidades de saúde indígena na capital Boa Vista, o que deu visibilidade à crise de saúde no território, agravada pela presença ilegal de 20 mil garimpeiros na reserva.

O Ministério da Saúde decretou na sequência estado de emergência para combater a falta de assistência sanitária que atinge os yanomamis.

Segundo o governo, pelo menos 570 crianças yanomamis morreram por contaminação por mercúrio, desnutrição e fome, "devido ao impacto das atividades de garimpo ilegal na região". As imagens de crianças desnutridas e esqueléticas provocou grande impacto, tanto no Brasil como internacionalmente. Crianças indígenas estão sendo intubadas com desnutrição grave, longe de seus pais.

A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar eventual crime de genocídio contra os yanomamis. A apuração vai se concentrar na apuração de responsabilidades de garimpeiros, operadores da logística do garimpo, coordenadores de saúde indígena e agentes políticos.

Em meio a crise, o governo Lula também exonerou 33 coordenadores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dispensou outros quatro servidores que ocupavam cargos de coordenação.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais neste sábado (28) para rebater as críticas contra ele e seu governo por conta da crise envolvendo os yanomamis. Afirmou que "nunca um governo dispensou tanta atenção e meios aos indígenas" quanto o dele. Na publicação, também divulgou relatório da CPI destinada a investigar a morte de crianças indígenas por desnutrição, no período de 2005 a 2007.

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