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Haddad diz que governo estuda como driblar restrições de divisas da Argentina para aumentar comércio

Haddad diz que governo estuda como driblar restrições de divisas da Argentina para aumentar comércio

Por Lisandra Paraguassu / Folha de São Paulo

23/01/2023 às 09:09

Atualizado em 23/01/2023 às 09:09

Foto: Adriano Machado/Reuters

Solução pode passar pela adoção de moeda única para transações comerciais

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse no domingo (22) que o governo brasileiro estuda alternativas para driblar as restrições de divisas da Argentina e aumentar o comércio entre os dois países, o que pode passar pelo uso de uma moeda única para transações comerciais, embora ainda não haja uma definição.

"Está muito ruim [o comércio] e o problema é exatamente a divisa, né? É isso que a gente está quebrando a cabeça para encontrar uma solução. Alguma coisa em comum, alguma coisa que permita incrementar o comércio, porque a Argentina é um dos países que compram manufaturados do Brasil e a nossa exportação pra cá está caindo", disse o ministro ao chegar a Buenos Aires.

Haddad faz parte da comitiva da visita oficial à Argentina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passa os próximos dois dias no país.

Em um artigo publicado no site argentino Perfil, Lula e o presidente do país Alberto Fernández, citaram o início de conversas para adoção de uma moeda comum sul-americana para transações comerciais.

"Também decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda comum sul-americana que possa ser utilizada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo os custos de operação e diminuindo a nossa vulnerabilidade externa", diz o texto, o que causou turbulência pelo entendimento de que os dois países estariam planejando adotar uma moeda comum em todos os sentidos, o que Haddad nega. Segundo ele, não existe conversas para criar uma moeda única.

Ao ser questionado se poderia falar melhor sobre o tema nos próximos dias, Haddad respondeu que sim, e ironizou: "Até porque estão dizendo que vai acabar o real."

A negociação, explicou ele, passa nesse momento por resolver as dificuldades de divisas da Argentina, que hoje tem apenas cerca de US$ 40 bilhões em reservas e, com isso, problemas para importar, o que prejudica diretamente o Brasil, seu principal parceiro comercial na região.

"Passa por driblar a dificuldade deles [argentinos]. Estamos pensando em várias possibilidades", disse o ministro, lembrando que teve já mais de uma conversa com o ministro da Economia argentino, Sergio Massa, para tratar do assunto.

Em 2022, as exportações brasileiras para a Argentina chegaram a US$ 15,3 bilhões, 29% a mais que no ano anterior. Mesmo assim, ainda não voltaram aos valores de 2017, quando alcançou US$ 17,6 bilhões.

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