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Comandante de batalhão do Planalto troca de cargo mesmo sob inquérito por inação nos atos golpistas

Comandante de batalhão do Planalto troca de cargo mesmo sob inquérito por inação nos atos golpistas

Por Cézar Feitoza, Folhapress

24/01/2023 às 15:15

Foto: Divulgaçao

O comandante da Guarda Presidencial Paulo Jorge Fernandes da Hora, investigado por impedir ação da PM em atos golpistas em 8 de janeiro

O comandante do BGP (Batalhão da Guarda Presidencial), tenente-coronel Jorge Paulo Fernandes da Hora, vai deixar a função nesta semana e será realocado para cargo no Estado-Maior do Comando Militar do Planalto.

A mudança ocorre enquanto a conduta de Fernandes durante os ataques às sedes dos Poderes, no dia 8 de janeiro, é investigada por um IPM (Inquérito Policial-Militar) do Exército.

No lugar dele, assume o comando do BGP o tenente-coronel Nélio Moura Bertolino, militar da arma de infantaria e formado na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) em 1999.

Apesar das pressões para que Fernandes deixasse o cargo de comando, a mudança já estava prevista desde maio de 2022, segundo documentos internos obtidos pela Folha.

A troca faz parte das novas designações previstas para o Exército para o biênio 2023-2024 —Fernandes estava no comando do batalhão desde 2021 e deixa a função em 27 de janeiro.

A situação de Fernandes deve ser esclarecida nesta terça-feira (24) pelo comandante do Exército, Tomás Paiva, para os demais 15 generais que compõem o Alto Comando da Força.

A reunião do colegiado começará oficialmente na tarde desta terça, apesar da maioria dos generais estarem desde a manhã em conversas no QG do Exército, em Brasília.

O tenente-coronel Fernandes entrou na mira e virou alvo de processo de fritura após circularem vídeos, feitos por policiais, durante a invasão de vândalos ao Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro.

As gravações mostram o militar discutindo com os policiais sobre a prisão dos extremistas. Na versão que circula no Palácio do Planalto, Fernandes teria dificultado a prisão dos bolsonaristas radicais —o que poderia demonstrar conivência do militar com os atos golpistas.

No Exército, Fernandes afirmou a interlocutores que não agiu com leniência. Segundo relatos feitos à Folha, o militar tem defendido que atuou daquela forma após os golpistas estarem todos contidos, sentados no chão do segundo andar do Palácio.

A versão na caserna defende que o tenente-coronel discutiu com os policiais porque eles estariam exaltados após um colega deles, que fazia policiamento a cavalo, ter sido espancado por golpistas instantes antes da invasão ao Planalto. Por essa razão, segundo a guerra de versões, Fernandes teria tentado conter o ímpeto dos policiais quando a situação estava sob controle.

O inquérito também avalia como foi a coordenação da segurança do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro com o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

A pasta, comandada pelo general Gonçalves Dias, não preparou um plano de segurança especial para o dia dos ataques às sedes dos Poderes. As tropas do BGP só chegaram, em números reduzidos, a partir das 13h do domingo.

Além do caso de Fernandes, o Alto Comando do Exército irá iniciar as discussões nesta terça sobre a manutenção da nomeação do tenente-coronel Mauro Cid para o comando do 1º Batalhão de Ações de Comando, em Goiânia —um dos batalhões de elite do Exército, sediado a cerca de 200 km de Brasília.

Ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Cid é alvo de investigação da Polícia Federal por transações suspeitas realizadas em favor da família presidencial, como revelou a Folha.

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