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Putin e líder de Cuba inauguram estátua de Fidel em Moscou e buscam estreitar laços

Putin e líder de Cuba inauguram estátua de Fidel em Moscou e buscam estreitar laços

Por Folha de S. Paulo

22/11/2022 às 19:04

Atualizado em 22/11/2022 às 19:04

Foto: Seguei Guneev/Sputnik via Reuters

Díaz-Canel diz que seu país e a Rússia têm inimigo em comum e critica sanções do Ocidente

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu nesta terça-feira (22), em Moscou, o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e prometeu aprofundar laços entre os dois países, em meio a um momento de maior isolamento diplomático do Kremlin após reveses na Guerra da Ucrânia.

Em ato simbólico, os dois dirigentes inauguraram um monumento em homenagem a Fidel Castro (1926-2016) em uma praça da capital russa. Curiosamente, Cuba não tem monumentos do tipo celebrando o ex-ditador; segundo Raúl Castro, seu irmão e sucessor, Fidel era contra o cultivo a personalidades —prática comum em outras ditaduras.

Nesta terça, Putin defendeu a Díaz-Canel a tese de que os dois países precisam se relacionar sobre a "base sólida da amizade" estabelecida nos tempos da União Soviética. "É uma verdadeira obra de arte —dinâmica, em movimento e avançando. Cria a imagem de um lutador", disse o russo, se referindo à estátua.

A obra retrata Fidel olhando para longe, com as mãos na cintura. "Acho que reflete sua personalidade na luta", respondeu o atual líder de Cuba.

Coube a Díaz-Canel as principais palavras no encontro. Dirigindo-se ao Parlamento russo, ele mostrou solidariedade a Moscou ao endossar diretamente algumas das justificativas declaradas para a invasão da Ucrânia. "As razões do atual conflito devem ser buscadas na política agressiva dos Estados Unidos e na expansão da Otan para as fronteiras da Rússia", afirmou.

O pretexto em certa medida evoca a crise dos mísseis de Cuba, nos anos 1960, quando a URSS, com apoio de Fidel, instalou mísseis balísticos na ilha como forma de dissuasão contra os EUA. Na época, os americanos tinham estruturas do tipo na Turquia.

Após aviões identificarem a instalação dos mísseis soviéticos, Washington e Moscou se ameaçaram mutuamente, e um impasse de 14 dias deixou o mundo à beira da guerra nuclear. O acordo para a retirada dos artefatos de Cuba só foi alcançado quando os EUA se comprometeram a não invadir a ilha —secretamente, também concordaram em retirar seus mísseis da Turquia.

O episódio foi, recentemente, citado pelo atual presidente americano, Joe Biden. "Não enfrentamos um possível 'Armagedom' desde [Jonh] Kennedy e a crise dos mísseis", disse o democrata. Em setembro, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), também fez a comparação.

Nesta terça, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que as crises são diferentes —ainda que, segundo ele, os dois conflitos sejam "um choque entre russos e o Ocidente liderado pelos EUA".

Cuba está sob embargo econômico americano desde 1962, e Washington também implementou uma série de sanções contra Moscou após a invasão da Ucrânia. Díaz-Canel chamou os bloqueios de injustos e arbitrários. "Temos um inimigo em comum: o império ianque que manipula grande parte do mundo", disse aos russos.

Putin respondeu dizendo que sempre se opôs "a vários tipos de restrições, embargos, bloqueios".

A viagem do líder cubano, porém, não se baseia apenas no lema "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". Díaz-Canel espera que a visita ajude a impulsionar o setor energético de seu país, em meio a uma série de apagões e à escassez de combustível na ilha. Em um giro internacional ele deve visitar também Argélia, Turquia e China.

Putin, por sua vez, tenta buscar aliados no cenário global e expandir seu mercado de gás e petróleo –prejudicado após o início da guerra no Leste Europeu.

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