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Protestos se espalham pela China, na maior onda desde que Xi assumiu o poder

Protestos se espalham pela China, na maior onda desde que Xi assumiu o poder

Por Folha de S. Paulo

27/11/2022 às 12:06

Foto: Hector Retamal/AFP

Manifestações contra política de Covid zero sustentada pelo regime ocorrem em cidades como Pequim e Xangai

Protestos contra a restritiva política chinesa de Covid zero sustentada pelo regime de Xi Jinping se multiplicaram neste domingo (27), com cenas registradas em cidades como Pequim e Xangai e em universidades locais. A onda de atos pode ser a maior na China continental desde que o líder assumiu o poder do Partido Comunista.

A sequência de desobediência civil começou depois de um incêndio atingir um prédio residencial e deixar dez pessoas mortas na noite de quinta-feira (24) na região chinesa de Xinjiang. Para manifestantes na capital Urumqi, a manutenção da política de Covid zero causou as mortes.

A China defende a política de Covid zero como forma de evitar a sobrecarga de seu sistema de saúde. A estratégia, que envolve confinamentos em larga escala, restrições de viagens e testes em massa, tem sido um duro golpe para a economia do país.

Em Xangai, cidade mais populosa da China, moradores se reuniram na noite deste sábado (26) na rodovia Wulumuqi para uma vigília feita com velas, que se converteu em protesto nas primeiras horas deste domingo.

Sob a observação de um grupo de policiais, manifestantes levantaram folhas de papel em branco como um símbolo de protesto contra a censura. De acordo com vídeos que circularam em redes sociais, os manifestantes gritaram "suspendam o bloqueio de Urumqi, suspendam o bloqueio de Xinjiang, suspendam o bloqueio em toda a China". As filmagens não puderam ser verificadas.

Segundo testemunhas e vídeos, mais tarde um grupo gritou "abaixo o Partido Comunista, abaixo Xi Jinping", em um raro protesto público contra a liderança do país.

Horas mais tarde no domingo, a polícia manteve forte presença na rodovia Wulumuqi e isolou as ruas ao redor, de acordo com vídeos que não puderam ser verificados. À noite, centenas de pessoas se reuniram novamente perto de um dos cordões de isolamento, algumas segurando folhas de papel em branco.

"Estou aqui por causa do incêndio em Urumqi. Estou aqui pela liberdade. O inverno está chegando. Precisamos de liberdade", um manifestante afirmou à agência de notícias Reuters.

Na Universidade de Tsinghua, em Pequim, dezenas de pessoas realizaram um protesto pacífico contra as restrições para controlar a Covid. Elas cantaram o hino nacional chinês, de acordo com imagens e vídeos publicados em redes sociais.

Em um vídeo que não pôde ser verificado, um estudante universitário de Tsinghua incitou a multidão para falar. "Se não ousarmos falar porque temos medo, as pessoas ficarão desapontadas conosco."

Um estudante que viu o protesto de Tsinghua afirmou à agência de notícias Reuters que se sentiu surpreso com a manifestação.

"As pessoas estavam muito entusiasmadas, foi impressionante", disse o estudante, que preferiu se manter anônimo.

A onda de protestos públicos é rara na China continental. Para Dan Mattingly, professor assistente de ciência política na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, as manifestações vão deixar o Partido Comunista sob pressão.

"Há uma boa chance de que uma resposta seja a repressão, com prisão e ações judiciais contra manifestantes", disse Mattingly.

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