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Ministério Público Federal investiga bloqueios nas rodovias e cobra PRF

Ministério Público Federal investiga bloqueios nas rodovias e cobra PRF

Por Marcelo Rocha, Folhapress

31/10/2022 às 17:13

Atualizado em 31/10/2022 às 18:05

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Procuradores dizem que a corporação pode agir administrativamente contra os caminhoneiros, com aplicação de multas

O MPF (Ministério Público Federal) abriu nesta segunda-feira (31) apurações sobre as circunstâncias dos bloqueios em rodovias. O órgão cobra providências da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Procuradores da República nas cinco regiões do país já instauraram procedimentos sobre a situação e apontam o cometimento, em tese, do crime contra o Estado democrático de Direito.

Um dos documentos ao qual a Folha teve acesso afirma que as motivações dos protestos "mostram-se explicitamente contrárias ao estado democrático de direito, requerendo intervenção militar por mero descontentamento com o resultado das eleições presidenciais".

Em nota, a corporação afirmou que se encontra "com efetivo mobilizado nos pontos de bloqueio e permanece trabalhando pelo fluxo livre das rodovias federais". Às 16h30 desta segunda, a polícia atualizou em uma rede social o número de ocorrências, 136 em todo o país.

No domingo (30), a PRF descumpriu ordem do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ao intensificar operações contra o transporte público de eleitores.

Relatos de que caminhoneiros bolsonaristas decidiram bloquear estradas país afora começaram a circular nas redes sociais tão logo o TSE anunciou a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL).

PRF contabiliza até o momento bloqueios ou aglomerações em vias de 13 estados e do Distrito Federal. Houve ou estão em andamento protestos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em Minas Gerais, São Paulo, no Rio de Janeiro, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, no Pará, no Acre, no Amazonas e no Distrito Federal.

Os representantes do MPF entendem que a PRF tem condições de agir administrativamente contra os bloqueios e cobraram formalmente providências da corporação, como monitoramento e aplicação de multas.

Pedem ainda a identificação dos proprietários dos veículos utilizados para bloqueio das vias, para futura responsabilização cível e criminal.

É missão da PRF, segundo o regimento interno do departamento, "planejar, coordenar e executar o policiamento, a prevenção e repressão de crimes nas rodovias federais e áreas de interesse da União".

A Polícia Federal no Pará foi acionada para que instaure inquérito e levante informações para que lideranças do movimento sejam identificadas e eventualmente responsabilizadas.

A subprocuradora Elizeta Maria de Paiva Ramos, coordenadora da 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF solicitou ao diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, informações sobre as providências que estão sendo adotadas pela Polícia Rodoviária Federal para garantir manutenção do fluxo nas rodovias federais, dentre elas a relação completa dos bloqueios e as respectivas ações empreendidas pelo órgão em cada caso.

A 7ª CCR é encarregada de procedimentos relativos ao controle externo da atividade policial e ao sistema prisional.

Procurada pela Folha, a PRF enviou nota na qual afirmou que "desde ontem [domingo, 30 de outubro], quando surgiram as primeiras interdições, a PRF adotou todas as providências para o retorno da normalidade do fluxo, direcionando equipes para os locais e iniciando o processo de negociação para liberação das rodovias priorizando o diálogo".

"A PRF acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) em todos os estados onde foram identificados pontos de bloqueios, para obter interdito proibitório na Justiça Federal, objetivando, liminarmente, a expedição de mandado judicial como forma de garantir pacificamente a manutenção da fluidez nas rodovias", disse.

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