Lula vê intolerância e ódio em assassinato de apoiador por bolsonarista
Por Italo Nogueira/Folhapress
09/09/2022 às 16:26
Foto: Gabriel Cabral/Folhapress/Arquivo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou termos como intolerância, ódio e selvageria ao se referir nesta sexta-feira (9) ao assassinato de um apoiador por um bolsonarista um dia antes em Mato Grosso.
"É com muita tristeza que soube da notícia do assassinato de Benedito Cardoso dos Santos, na zona Rural de Confresa. A intolerância tirou mais uma vida. O Brasil não merece o ódio que se instaurou nesse país. Meus sentimentos à família e amigos de Benedito", escreveu o petista em uma rede social.
Logo em seguida, em entrevista no Rio, ele disse que "o país está caminhando para uma selvageria que nós até então não conhecíamos." E completou: "Isso é demonstração do clima de ódio que está estabelecido no processo eleitoral. Uma coisa totalmente anormal".
Na quinta (8), em Confresa (a 1.160 km de Cuiabá), um homem que defendia o ex-presidente Lula foi morto por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) após uma discussão.
Autor do crime, Rafael de Oliveira, 24, passou por audiência de custódia, e a Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva. Ele confessou, segundo a polícia, ter matado a facadas o colega de trabalho Benedito Cardoso dos Santos, 44, depois de uma discussão política.
De acordo com a polícia, o autor tentou decapitar a vítima e, após o crime, ainda filmou o corpo.
O assassinato ocorreu na madrugada em uma fábrica de cerâmica localizada na zona rural do município de 32 mil habitantes. A decisão da prisão preventiva foi assinada pelo juiz Carlos Eduardo Pinho Bezerra de Menezes e divulgada em audiência de custódia na tarde desta quinta-feira.
Na decisão, o magistrado afirma haver, com base nos depoimentos dos policiais que realizaram a prisão e na confissão de Oliveira, "prova da materialidade e indícios suficientes" da autoria do crime.
O juiz ainda classificou o ocorrido de "reprovável" e citou que a intolerância poderá regredir a sociedade aos tempos da barbárie. "Lado outro, verifica-se que a liberdade de manifestação do pensamento, seja ela político-partidária, religiosa, ou outra, é uma garantia fundamental irrenunciável", afirmou.
A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), atribuiu o assassinato a um suposto "comando de violência" dado por Bolsonaro.
"A um dia de completar dois meses do assassinato do Marcelo Arruda, do PT, por um bolsonarista, outro bolsonarista assassinou com facadas um apoiador do Lula, no MT. O comando de violência que dá Bolsonaro para extirpar Lula e os petistas leva a isso. O assassino é você, Bolsonaro", disse.
Episódios ligados a ameaças, ataques e tensão relacionados à disputa eleitoral têm se acumulado no Brasil desde a pré-campanha.
Em julho, um policial penal federal bolsonarista invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros o guarda municipal e militante petista Marcelo Aloizio de Arruda, em Foz do Iguaçu (PR).
Depois, o país viu um ataque a um juiz federal e a um ato com o ex-presidente Lula (PT). Dias atrás, militantes de esquerda impediram uma palestra de políticos de direita.
A polarização eleitoral entre Bolsonaro e Lula e a perspectiva de uma disputa acirrada levaram a Polícia Federal a reforçar o esquema de segurança de candidatos à Presidência para este ano.
Até 2018, a PF fazia a proteção dos candidatos com base em lei e portaria sucinta do Ministério da Justiça, que tratava genericamente da necessidade de a corporação proteger aqueles que disputassem o Palácio do Planalto.
Após o pleito, marcado pela facada a Bolsonaro e ameaças à campanha de Fernando Haddad (PT), a polícia editou instrução normativa específica para a segurança dos candidatos à Presidência com diretrizes que devem ser seguidas pelos agentes e com recomendações claras aos políticos que vão concorrer.
