Suplicy diz não ver provocação ao PT em menção de Ciro em programa de governo
Por Guilherme Seto/Folhapress
16/08/2022 às 19:37
Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress

O vereador Eduardo Suplicy (PT) diz não ver provocação ao PT por parte do candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, ao batizar o programa de transferência de renda de seu plano de governo com seu nome (veja aqui).
O ex-senador diz que Ciro já havia avisado da intenção da homenagem durante live que fizeram em agosto do ano passado, quando respondeu que o importante era a implementação do programa. Ele diz que não pedirá para ter seu nome tirado do plano do pedetista.
"Não vejo problema. O que posso falar, como já falei para o Ciro, é que o importante não é meu nome, o importante é implementar a renda básica de cidadania. Gostaria que todos os candidatos à Presidência viessem a implementar. É uma maneira de todos fazerem o que o presidente Jair Bolsonaro, em que pese minha insistência, não fez", diz Suplicy.
Nesta terça-feira (16), Ciro disse que o petista dedicou a vida inteira a colocar o assunto em pauta e o PT sempre o levou ao deboche e ao ridículo. Suplicy diverge e diz que Lula sempre o tratou com muita dignidade e sempre valorizou sua insistência com o programa.
"Em entrevista que está na oitava edição do meu livro 'Renda de Cidadania', ele lembra que, quando da sanção do projeto da renda básica, aquele que tantos consideram o maior economista brasileiro, Celso Furtado, enviou uma comunicação a ele, enaltecendo que o Brasil, que havia sido o último país a abolir o trabalho escravo, seria o primeiro a implementar uma lei que concede dignidade a todos", afirma.
Ele também recorre ao reconhecimento de Lula para dizer que não interesse repentino do PT em sua proposta após a homenagem de Ciro Gomes.
Na segunda (15), Suplicy teve um encontro com a coordenação de campanha de Lula. Segundo ele, ficou estabelecido que um novo programa de transferência de renda de um eventual terceiro governo Lula incluirá uma transição para a renda básica de cidadania.
"Ficou explicitado que vai haver, primeiramente, um programa de transferência de renda, que pode ser chamado de Novo Bolsa Família, e que vai providenciar gradualmente um desenvolvimento em direção à renda básica de cidadania. Primeiro, a todas as crianças de até três anos, ou algo nesse sentido. Depois, até sete anos. Depois, um pouco mais. Depois, jovens e adolescentes, até chegar à renda básica universal", explica o senador, que é candidato a deputado estadual por São Paulo.
