Bolsonaro pode esvaziar 7 de setembro se militares chegarem a acordo com TSE
Por Mônica Bergamo/Folhapress
17/08/2022 às 07:01
Foto: Gabriela Biló/Arquivo/Folhapress

Os ministros de Jair Bolsonaro (PL) que têm maior trânsito na área política afirmam que o presidente da República pode, enfim, aceitar um armistício com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e colocar fim a uma disputa que, na visão de diversos estrategistas de sua campanha eleitoral, só traz desgaste e tira votos.
Caso isso ocorra, a ideia é esvaziar os ataques previstos contra o Judiciário no dia 7 de setembro, dando às manifestações um caráter mais festivo e de apoio eleitoral a Bolsonaro.
De acordo com integrantes da equipe de campanha, boa parte do eleitorado que já simpatizou, mas hoje reluta em votar nele, afirma em pesquisas que prefere um presidente que resolva seus problemas, e os do país —e não que fique arrumando briga quase o tempo todo.
A condição para o fim, ao menos temporário, da tensão seria o TSE aceitar pelo menos algumas das principais sugestões do Ministério da Defesa que foram inicialmente descartadas pela Corte.
Os militares queriam, por exemplo, que o tribunal autorizasse a publicação de arquivos de dados dos boletins de urna, com os votos registrados e apurados em cada máquina.
Se o novo presidente do TSE, Alexandre de Moraes, aceitar as propostas, os militares darão o sinal verde para que Bolsonaro sele a paz com a corte –ao menos até o fim do ciclo eleitoral.
Há algumas semanas, Bolsonaro já vem baixando o tom dos ataques ao TSE. E percebeu, de volta, sinais de distensionamento.
Na terça, como uma de suas últimas medidas na presidência da Corte, o ministro Edson Fachin atendeu a pedido do Ministério da Defesa e autorizou a entrada de nove militares no grupo que inspeciona o código-fonte das urnas eletrônicas. E ampliou de 12 para 19 de agosto o prazo para as Forças Armadas concluírem esta análise.
