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Número 2 da Caixa deixará cargo por suspeita de acobertar acusações de assédio

Número 2 da Caixa deixará cargo por suspeita de acobertar acusações de assédio

Por Idiana Tomazelli/Folhapress

01/07/2022 às 20:15

Atualizado em 01/07/2022 às 21:57

Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

Protesto contra as denúncias de assédio sexual contra o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães

O vice-presidente de Negócios de Atacado da Caixa, Celso Leonardo Barbosa, também deixará o cargo após as acusações de assédio sexual contra o ex-presidente do banco, Pedro Guimarães.

A suspeita de pessoas ligadas ao banco é de que Barbosa pode ter ajudado a acobertar a situação. Ele era tido como o número dois de Guimarães e o substituía com frequência no comando da instituição. Também era um aliado próximo e fiel ao agora ex-presidente.

Os relatos das vítimas e de outros funcionários indicam que os episódios eram conhecidos por ao menos parte da diretoria e dos vice-presidentes.

A informação sobre a saída de Barbosa foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e confirmada pela reportagem por fontes do governo. Procurada, a Caixa não se manifestou até o momento.

Na manhã desta sexta-feira (1º), o vice-presidente foi comunicado pelo presidente do conselho de administração, Rogerio Rodrigues Bimbi, de que precisaria deixar o cargo. Horas depois, Barbosa reuniu sua equipe para anunciar o fato.

Uma nova reunião extraordinária do conselho de administração será realizada na noite desta sexta para definir como se dará a saída do vice-presidente: se ele será destituído de forma imediata ou afastado por prazo determinado até a obtenção de novas informações.

Barbosa ingressou na Caixa em janeiro de 2019 como assessor estratégico da presidência do banco. Tornou-se vice-presidente do banco em março de 2020.

Na quinta-feira (30), também em reunião extraordinária, o conselho decidiu contratar uma auditoria externa para apurar as acusações de assédio sexual contra Pedro Guimarães e rastrear outros membros da cúpula que acobertaram a situação.

As acusações foram reveladas na terça-feira (28) pelo portal Metrópoles, que relatou também a existência de uma investigação no Ministério Público Federal.

As mulheres narraram episódios como toques íntimos sem consentimento, convites incompatíveis com o ambiente profissional e outras condutas inapropriadas.

A decisão do conselho de contratar uma empresa terceirizada para conduzir a apuração foi tomada após os relatos das vítimas indicarem que os episódios eram conhecidos por ao menos parte da diretoria e dos vice-presidentes da Caixa.

A avaliação do colegiado é que deixar a investigação nas mãos das instâncias internas de controle não é a melhor saída para obter um diagnóstico independente, dada a suspeita de envolvimento de outros integrantes da cúpula da instituição.

A avaliação preliminar é que, diante dos relatos, apenas a renúncia de Guimarães não basta. O temor é que tenha se instaurado no banco uma cultura organizacional que não pode ser tolerada.

Uma funcionária da Caixa disse em depoimento à reportagem que também foi assediada por Guimarães, presidente da instituição. Ela afirmou ter sido puxada pelo pescoço e ter ficado em choque após o episódio. A mulher pediu para ter sua identidade preservada por receio de sofrer retaliação do comando do banco.

Guimarães pediu demissão na quarta-feira (29), um dia após a divulgação das acusações. Em uma carta aberta publicada em suas redes sociais, ele negou as acusações e disse ser alvo de "rancor político em um ano eleitoral".

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