Ataque a tiros em shopping na Dinamarca deixa vários mortos, diz polícia
Por Folhapress
03/07/2022 às 19:43
Foto: Olafur Steinar Gestsson / AFP

A polícia dinamarquesa afirmou que várias pessoas foram mortas a tiros neste domingo (3) em um shopping center em Copenhague, num ataque que a primeira-ministra do país, Mette Frederiksen, descreveu como "cruel". Uma pessoa foi presa, e ainda não há informações sobre o número de feridos e mortos.
"Envio a minha mais profunda solidariedade para aqueles que perderam seus entes queridos", disse a premiê em um comunicado no Twitter. "Nossa bela e geralmente tão segura capital foi mudada em uma fração de segundo", acrescentou.
O incidente ocorreu dentro do centro comercial Field's, no bairro de Amager, a cinco quilômetros do centro da cidade. O chefe da polícia, Soren Thomassen, afirmou que o suspeito é um dinamarquês de 22 anos e acrescentou que não é possível descartar que a ação tenha sido um ato terrorista.
Ele disse ainda que não há indicações de que tenha havido a participação de outro atirador e se recusou a responder quais seriam as motivações do autor do ataque ou se ele era conhecido pela polícia.
Um porta-voz do Rigshospitalet, o principal hospital da capital dinamarquesa, disse à agência de notícias Reuters que o centro médico recebeu um "pequeno grupo de pacientes" para atendimento, possivelmente mais de três, e que cirurgiões e enfermeiros foram chamados para reforçar a equipe.
No Twitter, a polícia aconselhou quem estivesse dentro do shopping a esperar pela chegada de ajuda. "Estamos no local, tiros foram disparados, e várias pessoas, atingidas", escreveu na rede social a força de segurança, que também pediu à população o envio de imagens e de outros detalhes relevantes do ataque que ajudem na investigação. ?Não foram divulgadas mais informações sobre a prisão do suspeito.
Veículos locais publicaram imagens de pessoas correndo em pânico para fora do centro comercial, e um vídeo não verificado exibido pela mídia dinamarquesa mostra um homem com um fuzil dentro do local.
Uma mulher que estava no shopping no momento do incidente disse que, inicialmente, as pessoas acharam que o atirador era um assaltante. "De repente, ouvi tiros e me joguei atrás do balcão de uma loja", afirmou Rikke Levandovski. Outra testemunha disse ter ouvido cerca de dez tiros. Segundo outros relatos, o suspeito tentou enganar as vítimas, dizendo que a arma era falsa. "Ele era suficientemente psicopata para perseguir as pessoas, mas ele não corria", disse uma testemunha à emissora pública DR.
Hoje, de acordo com o último relatório do Serviço de Segurança e Inteligência da Dinamarca, o risco de terrorismo no país é definido como "sério", com o "islamismo militante" como maior ameaça. Já a chance de haver ações de extremistas de direita recebeu o rótulo de "geral", ou seja, pode haver planos do tipo.
O último ataque terrorista na Dinamarca foi em 2015. À época, um atirador matou duas pessoas e feriu seis policiais. O incidente ocorreu num centro cultural que abrigava debates sobre liberdade de expressão e em uma sinagoga no centro de Copenhague. O atirador foi morto pela polícia.
Devido ao ataque, um evento no sul do país para comemorar o fim das três primeiras etapas da corrida de ciclismo Tour de France, organizado pelo príncipe herdeiro dinamarquês e com a presença da primeira-ministra Mette Frederiksen, foi cancelado na noite de domingo, informou a Casa Real em um comunicado.
O cantor britânico Harry Styles se apresentaria às 20h, no horário local (15h em Brasília), em uma casa de shows a cerca de 1 km do shopping center alvo do ataque. A apresentação foi cancelada.
A prefeita de Copenhague anunciou a criação de um grupo de crise para tratar do episódio. As ruas ao redor do shopping foram fechadas, e a circulação do metrô, suspensa, segundo a agência de notícias AFP.?
O ataque na Dinamarca ocorre logo depois de um incidente semelhante na vizinha Noruega, no último dia 24, quando duas pessoas foram mortas e ao menos 21 ficaram feridas devido à ação de um atirador em um bar gay na capital Oslo. A Parada do Orgulho Gay, que ocorreria no dia seguinte, foi cancelada.
