Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
São Paulo pela sua potência, sua capacidade, tem que fazer gestos para o Brasil, diz Imbassahy, novo presidente do Invest-SP
São Paulo pela sua potência, sua capacidade, tem que fazer gestos para o Brasil, diz Imbassahy, novo presidente do Invest-SP
Por Davi Lemos
12/06/2022 às 08:55
Atualizado em 12/06/2022 às 09:15
Foto: Divulgação / PSDB / Arquivo

O ex-prefeito de Salvador, ex-ministro e ex-deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB) tomou posse como presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Invest-SP) na segunda-feira (6), considerada um modelo no país na promoção de investimentos.
Nesta entrevista a este Política Livre, destaca que São Paulo pode ser um modelo de desenvolvimento para a Bahia.
"Na minha posição aqui de presidente da Invest-SP, estou disposto, dentro de uma orientação do governador Rodrigo Garcia, a ajudar os demais estados brasileiros. E a Bahia pra mim merece uma atenção especial", pontua Imbassahy, que falou com o site na última na quinta-feira (9).
O ex-prefeito de Salvador também comenta o fato de, pela primeira vez após a redemocratização, o PSDB não ter um candidato à Presidência da República. "Isso vem da circunstância de uma visível polarização que está acontecendo no processo eleitoral entre dois candidatos que têm efetivamente liderança. Sem analisar o mérito de um ou de outro, são líderes populares, tanto o atual presidente Bolsonaro quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", avalia.
Na Bahia, Imbassahy afirma que aposta numa renovação que seria representada por ACM Neto, ex-prefeito da capital como ele e pré-candidato a governador pelo União Brasil. "O que nós queremos é Estado que possa ser governado por um líder capaz de modernizar a sua economia, de melhorar os serviços públicos e nós enxergamos no ACM Neto todas as qualidades para tal", diz o novo presidente da Invest-SP.
Confira a entrevista:
O senhor tomou posse na segunda-feira (6) como presidente da Invest-SP, que, nos últimos 3 anos, atraiu R$ 208 bilhões em investimentos para São Paulo. O que faz de São Paulo tão pujante na atração de investimentos e de que maneira a Bahia poderia tomar esse modelo como exemplo?
São Paulo é sem dúvida o Estado de maior força econômica do país e isso acaba por atrair novos investimentos até porque o Estado tem 46 milhões de habitantes e é também um mercado consumidor muito robusto. A Invest-SP é uma agência de São Paulo que tem quadros de elevada qualificação, competência, muita capacidade empresarial, uma visão moderna, visão contemporânea, visão de mercado, visão de mundo e que está muito bem estruturada e permite esse relacionamento com investidores dentro e fora do Brasil e também trabalham fortemente na exportação. É claro que teria esse enorme interesse, um grande interesse em poder contribuir com nosso Estado, nosso querido Estado da Bahia. Evidentemente que ficamos aqui à disposição e colocamos a nossa estrutura a serviço de uma modelagem para o estado de São Paulo e talvez até para municípios que têm também muita capacidade de investimento como Salvador, com esse tipo de visão.
Mas observa-se que, enquanto São Paulo tem já uma infraestrutura que possibilita essa atração de investimentos, a Bahia tem no Oeste, por exemplo, dificuldade para escoar a sua produção; há no Estado uma série de gargalos que impedem esse crescimento, a atração de investimentos. O senhor enxerga, baseado no exemplo de São Paulo, uma forma de a Bahia também avançar nesse sentido?
São Paulo pode ser um modelo. Aqui se construiu uma infraestrutura notável que facilita muito, não apenas a produção como principalmente o escoamento. Na questão de licenciamentos ambientais, nós conquistamos aqui uma velocidade muito grande, respeitando as questões ambientais, mas tudo isso aqui é muito rápido. As coisas aqui não se demoram, são rápidas e essa infraestrutura beneficia. Eu sei que a Bahia tem desafios para realizar, mas é importante que os governos, não apenas do Estado, mas o governo federal e os governos municipais possam se associar a esse tipo de interesse, de uma visão moderna, porque a melhor forma de combater a pobreza é através da economia, gerando emprego, gerando renda, qualificando as pessoas, capacitando jovens, como se faz aqui em São Paulo. É isso que permite, por exemplo, este crescimento extraordinário. São Paulo, nos últimos três anos, cresceu cinco vezes no seu PIB em relação ao PIB do Brasil. Então são essas coisas que devem ser observadas em outros Estados, notadamente na Bahia, onde eu tenho interesse muito grande em colaborar.
Essa orientação parte do governador?
Sim. E eu sou muito grato ao governador Rodrigo Garcia (PSDB), que vai partir para a reeleição com uma possibilidade extraordinária de vitória, como sou grato também ao ex-governador João Doria (PSDB). Faço parte de uma equipe extremamente qualificada. A equipe do governo de São Paulo, de grande valor, tem permitido inclusive o país avançar, porque São Paulo sempre teve muita força na economia e, nos últimos anos, mais uma vez tem demonstrado a sua contribuição para com o Brasil. Quer dizer, São Paulo pela sua potência, pela sua capacidade, tem que fazer gestos para o Brasil. E, na minha posição aqui de presidente da Invest-SP, estou disposto, dentro de uma orientação do governador Rodrigo Garcia, a ajudar os demais estados brasileiros. E a Bahia pra mim merece uma atenção especial porque a minha origem é aí e eu sou muito grato a tudo o que a Bahia me ofereceu de oportunidades na vida pública.
Falando agora de eleições, o PSDB realizou prévias bastante disputadas, mas o pré-candidato à Presidência escolhido pelo partido não se viabilizou, tanto que a sigla deve apoiar, pelo que se noticia, a pré-candidata do MDB, Simone Tebet. O que causou esse quadro que determinou que o PSDB não tenha candidatura própria, fato inédito após a redemocratização?
Isso vem da circunstância de uma visível polarização que está acontecendo no processo eleitoral entre dois candidatos que têm efetivamente liderança. Sem analisar o mérito de um ou de outro, são líderes populares, tanto o atual presidente Bolsonaro quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São candidatos que têm muita força. E, com essa constatação, a proposta que foi vencedora dentro dos debates internos do PSDB foi a de se fazer aliança com outros partidos, até para permitir o enfrentamento a essa polarização. E, dentro dessa aliança, surgiu o nome da senadora Simone Tebet como a candidata que tem possibilidade de crescimento. É isso que foi dito pelas pesquisas ou pela pesquisa que foi contratada pelo MDB, pelo PSDB e pelo Cidadania. Eu não conheço a pesquisa, mas essa foi a versão que nos chegou, de que a candidata Simone Tebet teria condições de crescer de uma maneira mais acentuada nas pesquisas; resta agora esperar que isso aconteça. O candidato vencedor das prévias, o ex-governador João Doria, com quem tenho uma relação pessoal muito forte - e digo que ele reúne todos os atributos para ser um grande presidente da República, atributo de competência, de trabalho, de dedicação, de bons resultados do governo de São Paulo; e também foi ele quem trouxe a vacina para os brasileiros - mas venceu a tese de aliança com os demais parceiros, em que o PSDB fica sem o candidato na cabeça da chapa para a Presidência da República.
Aqui na Bahia, o Estado parte para 16 anos de administrações do PT, que sucedeu o carlismo. Em que a Bahia pode avançar após esses períodos?
É sempre interessante você fazer uma renovação, mas desde que haja também uma constatação de que os governos não estão funcionando bem. Aí no caso da Bahia, verificamos muitas fragilidades, notadamente na questão da educação e da segurança, na economia também, que não avançou tanto quanto mereceria avançar. Portanto, esse sopro de renovação todo faz crer que ele vai acontecer também no Estado da Bahia. Isso é inerente ao sistema democrático brasileiro.
Na Bahia, o PSDB está com ACM Neto. O senhor virá ao Estado durante o período de campanha ou se concentrará na sucessão em São Paulo?
O PSDB da Bahia tem uma história de bom relacionamento com o Democratas, que agora é o União Brasil. Então já há um posicionamento político claro do PSDB do Estado, que é presidido pelo deputado federal Adolfo Viana, e eu me incorporo a esses esforços que estão sendo conduzidos pelo presidente do PSDB. Na medida em que seja conveniente e seja necessário, eu estarei sempre à disposição para colaborarmos com o nosso Estado. O que nós queremos é o Estado que possa ser governado por um líder capaz de modernizar a sua economia, de melhorar os serviços públicos e nós enxergamos no ACM Neto todas as qualidades para tal.
