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Papa Francisco apoia campanha de combate à violência sexual contra criança no Brasil

Papa Francisco apoia campanha de combate à violência sexual contra criança no Brasil

Por Gabriela Caseff, Folhapress

24/06/2022 às 18:40

Foto: Divulgação/Instituto Liberta

Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, é recebida pelo papa Francisco em audiência no Vaticano

O papa Francisco recebeu nesta sexta-feira (24), em Roma, uma comitiva brasileira que apresentou dados da violência sexual contra crianças e adolescentes no país. No encontro, o pontífice ouviu o relato de uma mulher que sofreu abuso na infância e apoiou o movimento #AgoraVcSabe, criado pelo Instituto Liberta para que adultos rompam o silêncio sobre o tema.

Sem poder ficar em pé pela artrite que afeta um ligamento do joelho direito, aos 85 anos, o papa cumprimentou os visitantes que vieram na companhia de seu amigo, Isaac Sacca, rabino da comunidade sefardita de Buenos Aires.

"A expectativa era sensibilizar o papa sobre o assunto", diz Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, ao lembrar que a tensão da equipe na antessala do Vaticano foi logo dissolvida pela recepção afetuosa de Francisco. Conversaram bem, segundo ela, "em portunhol".

"Falei uns dez minutos, contei o que temos feito para combater essa violência e percebi que ele conhece bem o assunto, pois reparou que a média de casos intrafamiliares no Brasil é maior que a mundial."

O Anuário de Violências do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2021, indica que, a cada hora, quatro meninas menores de 13 anos são estupradas no país e 67% dos casos acontecem dentro de casa.

Quando a advogada disse que famílias se calam perante abusos porque entendem que o silêncio protege a unidade familiar –quando só protege o abusador e perpetua a violência—o papa interveio.

"Claro, hay que hablar", disse em espanhol. E seguiu: "A fala cura, precisamos tirar os esqueletos do armário."

O momento ficou marcado para a comitiva como uma validação do trabalho do instituto, que fez duas passeatas virtuais com depoimentos de vítimas neste ano. "Foi incrível e nos deu coragem para seguir convidando adultos a romperem o silêncio", afirma Luciana.

Na sequência, uma das embaixadoras da causa, Lyvia Montezano, foi chamada a dar seu depoimento como ativista.

"Foi a primeira vez que relatei o abuso em público, e não por vídeo, com pessoas que não conhecia", lembra a administradora, que é casada com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

"Contei que tinha sido abusada aos 5 anos e que, assim que tive uma filha, percebi que teria que lidar com esse trauma para ser uma mãe melhor."

O papa, segundo ela, se orgulhou da sua coragem e insistiu que era preciso romper o silêncio. "Comentei que Deus tinha sido meu melhor amigo nesse processo", diz Lyvia, que compreende o encontro como um pequeno milagre.

"Se eu tinha alguma dúvida de que estava fazendo a coisa certa, essa oportunidade me fez entender isso de uma vez por todas", completa ela, que é católica de batismo e hoje se diz espiritualizada.

Há um ano, o Vaticano endureceu as regras contra clérigos que abusam de menores ou de adultos vulneráveis, usam as posições de autoridade para forçar atos sexuais e ordenam mulheres a cargos eclesiásticos.

"O papa tem enfrentado com coragem esse assunto", afirma Luciana Temer, que também puxou assunto sobre pedofilia na audiência.

"Contei que 20% das pessoas que praticam violência sexual são diagnosticadas com esse transtorno psicológico. E que quando me perguntam por que elas continuam fazendo isso, digo ‘não sei por que fazem, mas sei por que continuam fazendo, e é por causa do silêncio’", disse ela. "O papa balançou a cabeça e disse ‘é verdade’."

A expectativa do Liberta agora é que o pontífice possa se envolver e que leve mensagens sobre o tema não só para debates internos, mas para famílias.

"Falar de pedofilia na Igreja desvia o foco de onde a violência é maior, que é na família, são os dados que temos", diz a advogada.

Ao final da audiência, que começou às 11h (horário local) e durou 30 minutos, o papa recebeu um pen drive com o documentário "Um Crime entre Nós" (dirigido por Adriana Yañez e produzido pela Maria Farinha Filmes), legendado em espanhol, e o vídeo da passeata virtual da campanha #AgoraVcSabe.

"Quebrou a tensão e ainda fez piada", lembra Luciana aos risos. "Disse que tinha uma dúvida importante: cachaça é água?". Depois sorriu e agradeceu a comitiva.

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