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Petrobras oficializa risco de falta de diesel, e conselheiros se dizem perplexos com descaso do governo

Petrobras oficializa risco de falta de diesel, e conselheiros se dizem perplexos com descaso do governo

Por Folha de S. Paulo

27/05/2022 às 06:35

Atualizado em 27/05/2022 às 06:35

Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobras

Estatal enviou ofício a Brasília com dados sobre provável escassez do combustível

A Petrobras decidiu formalizar o alerta que fez ao governo de Jair Bolsonaro (PL) de que pode haver desabastecimento de diesel no Brasil.

A informação já tinha sido passada ao governo de maneira informal pela estatal. A diretoria da empresa decidiu, no entanto, enviar um ofício ao governo com os dados. Assim, a equipe de Jair Bolsonaro e o presidente não poderão alegar desconhecimento nem jogar a responsabilidade nas costas da companhia caso a crise, de fato, se instale.

A escassez do combustível é uma das justificativas da empresa para defender a sua venda a preço de mercado. Qualquer alteração na regra, diz, poderá afetar a importação do produto e agravar a situação, que já é delicada.

As bombas ficariam secas justamente no terceiro trimestre, quando a demanda por diesel aumenta sazonalmente no Brasil e nos EUA. A época é a de maior exportação de grãos pelo país. Uma crise poderia afetar o PIB brasileiro.

O mundo passa pela mais grave escassez do combustível em 14 anos, por causa da guerra da Rússia contra a Ucrânia. O país de Vladimir Putin, que sofre sanções, é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Com estoques internacionais em níveis mínimos históricos, refinarias do Golfo dos EUA, que fornecem ao Brasil, por exemplo, começaram a redirecionar cargas para a Europa.

Conselheiros da Petrobras se dizem perplexos com o fato de o governo Bolsonaro até agora não ter apresentado ao país um plano de emergência para enfrentar uma provável escassez do diesel.

Eles definem a reação do governo como "descaso". E dizem que já deveriam estar sendo desenhadas propostas de economia do combustível e de priorização de seu fornecimento para alguns setores essenciais –como os de saúde e distribuição de alimentos.

Procurada, a Petrobras não quis se manifestar.

As informações são da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo.

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