Datafolha: Bolsonaro tem distância entre brancos e pretos; veja evolução
Por Folha de S. Paulo
27/05/2022 às 11:10
Atualizado em 27/05/2022 às 11:10
Foto: Marlene Bergam e Pedro Ladeira/Folhapress

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) lideram a corrida eleitoral para a Presidência em 2022. Abaixo, veja a evolução das intenções de voto nos dois pré-candidatos num possível segundo turno por cor, segundo as últimas pesquisas Datafolha.
Enquanto o ex-presidente tem melhor desempenho entre pardos e negros, o atual ocupante do posto angaria mais eleitores brancos.
As comparações em primeiro turno não são possíveis, porque os pré-candidatos mudaram. Amarelos e indígenas não foram considerados porque as bases de dados são muito pequenas.
O levantamento foi feito com 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181 cidades de todo o país, nesta quarta (25) e quinta-feira (26). A pesquisa foi contratada pela Folha e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. Mas na segmentação por cor da pele declarada ela muda para: branca e parda (3) e preta (5).
No início deste mês, Bolsonaro voltou a usar uma expressão considerada racista ao se referir a um apoiador negro. Ele disse que negros são pesados em arrobas.
Em conversa com simpatizantes publicada nas redes sociais, ele lembrou que "já foi processado por isso" e mais uma vez utilizou o termo —que o levou a ser denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo crime de racismo.
"Conseguiram te levantar, pô? Tu pesa o quê, mais de sete arrobas, não é?", disse o presidente a um apoiador que aparece brevemente na gravação no Palácio da Alvorada, mas não é identificado.
Nesta semana, porém, a PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmou não ter identificado elementos passíveis de configurar crime de racismo nessa declaração de Bolsonaro.
Em manifestação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradoria afirmou que "não houve nenhuma conotação relacionada com a cor da pele" na fala do presidente.
Antes de assumir a Presidência, Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria e condenado pela Justiça de primeira instância por ter afirmado que visitou uma comunidade quilombola e que "o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas" e que "nem para procriador ele serve mais".
A acusação da PGR foi rejeitada pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) em 2018.
Por 3 votos a 2, os ministros criticaram a conduta de Bolsonaro, mas entenderam que ele estava coberto pela imunidade parlamentar (na época era deputado federal) e não seria correto abrir uma ação penal contra o então parlamentar por esse episódio.
Antes da decisão do Supremo, porém, a Justiça Federal do Rio de Janeiro já havia condenado o atual presidente a pagar R$ 50 mil à comunidade negra por danos morais pelas mesmas declarações, que foram feitas no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em 2017.
Nesse processo, a juíza federal Frana Mendes afirmou que é "descabida" a utilização da imunidade parlamentar para "encobrir manifestações ofensivas, discriminatórias a alguém ou a algum grupo, sem nenhuma finalidade relacionada à função do parlamentar".
