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Comitês populares pró-Lula lançam plano de 'luta comunicacional'

Comitês populares pró-Lula lançam plano de 'luta comunicacional'

Por Guilherme Seto / Folha de São Paulo

26/05/2022 às 06:36

Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Movimentos falam em produzir conteúdo sobre 'experiência do povo' e brigar por espaço com bolsonaristas

Em encontro na última semana, comunicadores ligados a movimentos populares que apoiarão Lula (PT) em 2022 debateram e elaboraram um plano de comunicação com as disputas de outubro em vista, com foco na eleição do ex-presidente.

Esses comunicadores fazem parte das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que são compostas por mais de 100 organizações, como partidos (PT, PCdoB e PSOL), movimentos populares (MST e MTST), centrais sindicais (CUT, CTB e Intersindical), entidades estudantis (UNE), organizações de comunicação e cultura, etc..

A proposta da chamada Central de Mídia das Frentes é a de constituir uma estratégia de comunicação paralela e complementar à da estrutura oficial da campanha do petista.

Uma carta produzida no encontro, batizada de "Carta de Guararema", pois a reunião foi realizada na escola do MST localizada na cidade do interior de São Paulo, elenca os principais pontos delineados pelas frentes.

"Essa luta só poderá alcançar seus propósitos se entendermos a comunicação como uma dimensão estruturante da batalha", inicia o texto. Em outro trecho, ressalta "a importância existencial da luta comunicacional."

Um dos pontos destacados é o de produzir conteúdo alicerçado "na experiência viva de nosso povo", construir "uma imensa rede de militantes e ativistas capazes de emocionar o povo com narrativas feitas daquela matéria-prima delicada que é a esperança em uma vida plena, digna, protegida por direitos."

"O que emergirá das ruas e das redes, com esses comunicadores falando com distintos sotaques, usando diferentes gírias, fotografando com o celular que se tem à mão, registrando a resistência e a luta popular e divulgando pelas nossas redes, será muito mais potente e verdadeiro do que a farsa apresentada todos os dias pela mídia corporativa", continua a carta.

Para além do conteúdo dos materiais, que devem ter essa faceta denominada "popular", a carta convoca os membros das frentes à ocupação de todos os espaços de comunicação, não apenas as redes sociais.

"Vamos ocupar as ruas, redes, vielas, florestas, campos e matas, disputando ideias e votos que serão essenciais para a transformação do país. Não há espaço para hesitações. É hora de exercitarmos nossa criatividade, usando todas as ferramentas e meios de comunicação possíveis para dialogar com o povo", acrescenta o texto.

A carta chama a atenção para o fato de que 33 milhões de pessoas não tem acesso à internet no Brasil. Por isso, a briga por espaço deve estar presente no rádio, na TV, em páginas de jornais populares, fanzines, cordéis, muros, cartazes, etc..

No encontro, o deputado federal Rui Falcão (PT), que deverá ser um dos coordenadores da comunicação da campanha de Lula, disse que encher os eventos de Lula de apoiadores também é importante para a segurança do pré-candidato.

"Quanto mais gente colocarmos na rua, mais proteção o presidente Lula terá e menos espaço para aventureiros tentarem a sorte. Lula foi na casa do Rogerio Cerqueira Leite e um grupo de moradores neofascistas queriam impedir a entrada de Lula. Vídeo dos dois lados, ideia força da nossa campanha, qual lado você quer ficar? Esse cortejo precisa ficar na ponta da agulha, principalmente no que o Bolsonaro não pode resolver no curto tempo", disse Falcão.

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